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195 anos de Brooks Brothers

9 de abril de 2013

Brooks Brothers em 1818
Ontem recebi um e-mail comemorativo dos 195 anos da Brooks Brothers. Isso mesmo, a loja de roupas masculinas mais antiga dos Estados Unidos está comemorando 195 anos de idade. É muita loucura pensar em uma loja tão velha assim. Quando assumiu a presidência dos EUA pela segunda vez em 1965, Lincoln estava vestindo um casaco feito sob medida pela Brooks Brothers, que tinha a seguinte frase bordada no forro: “One Country, One Destiny”.

Detalhe do forro do casaco de Lincoln, Bordado a mão: "One Country, One Destiny"


Boro: Retalhos do Japão

20 de fevereiro de 2013


"Boro" é uma palavra japonêsa que significa "trapos esfarrapados". Este tecido revela muita coisa sobre o padrão de vida das famílias japonêsas do século dezoito. O boro é carinhosamente remendado, reaproveitando trapos de algodão tingídos com anil natural. Cada pedaço é único e conta a história do coração de uma família e da alma de um povo. A beleza irregular do tecido captura a essência da sustentabilidade, deixando zero resíduos na produção textil artesanal. Para os criadores do boro, tudo tinha valor demais para ser desperdiçado, um conceito praticamente extinto no consumidor moderno.

Quer saber mais sobre a história do boro?

Adidas Rod Laver

8 de novembro de 2012


Passei grande parte do fim de semana passado ajudando a fotografar novos produtos que o brechó Vovó era New Rave recebeu. É um passatempo para ajudar os amigos, e quem mais quiser, a vender peças que estão paradas no armário. 
Eu mesmo já vendi algumas coisas lá, e agora acabei de colocar uma desert boots da clarks. Enfim, dessa vez tinham algumas coisas muito interessantes no meio da pilha de sacolas que a Nati recebeu com coisas masculinas e femininas. Uma delas era um Adidas Rod Laver.
Rod Laver pertence a um grupo exclusivo de tenistas que ganharam todos os quatro grand slam no mesmo ano. E pertence a um grupo mais seleto ainda, os que fizeram isso duas vezes. Posso estar errado, mas acho que é o único homem deste grupo que ainda está vivo. 
Além da sua contribuição no esporte, Rod Laver também nos deixou uma outra coisa duradoura, o seu adidas epônimo. O modelo foi introduzido em 1970 e desenvolvido em parceiria com o tenista. O mais clássico é branco com sola e detalhes verde como a grama, mas o azul não fica muito atrás para quem quer uma opção mais discreta. São feitos de uma espécie de nylon, leve para caramba. Tirando umas sujeirinhas na camurça eles estão em exelente estado. Imagino que a parte de tecido deve ser fácil de lavar e manter branquinha.
Também chegaram um monte de camisas, algumas gravatas, calças e bermudas. Acho que a Nati está colocando aos poucos, mas de minha parte eu montei essas duas produções e um pequeno textinho. Essa calça azul da Richards também é bem honesta, mas não da para mim porque já estou com um monte de calças azul. Eu a levaria a um alfaiate para "afunilar"  um pouco a boca e ficaria perfeita. Para quem gosta de gravata fininha, também tem uma da Ellus bem bonita (pena que tão fina)

tenis adidas originals rod laver

Gravatas de Sete Dobras

5 de novembro de 2012

Gravata de seda "seven-fold" da The Knottery
Uma curiosidade interessante é que nem toda gravata "100% de seda" é realmente "100% de seda". Não que o fabricante esteja tentando enganá-lo, mas é que quando a etiqueta diz "100% seda", ela está falando apenas do material externo. A informação não considera a entretela, que geralmente é feita de acetato. É preciso cuidado, pois uma entretela de má qualidade, ou de consistência inadequada é capaz de arruinar o caimento até mesmo da melhor seda.

As gravatas realmente 100% de seda são chamadas de "seven-fold". O nome deriva da maneira como elas são feitas, com um único pedaço de seda, dobrado sete vezes sobre si mesmo. Ela geralmente não tem entretela e nem forro, já que a própria seda realiza essa função.

gravata seven fold
Existem diversos fatores que influenciam na qualidade de uma gravata. Estes vão desde a seda utilizada até a forma como ela é costurada. Uma gravata "seven fold" não é garantia de um nó mais bonito ou caimento melhor do que uma gravata convencional de primeira qualidade. Se as duas forem bem feitas, vai ser tudo uma questão de preferência. Porém, como as "seven-fold" consomem muito mais seda do que uma gravata convencional e demandam mais da mão de obra, imagino que seria bobagem gastar tempo fazendo-a com material ruim. É por isso que o termo é associado a uma qualidade superior.

Camuflagem de Paraquedista

25 de outubro de 2012

camisa de botão camuflada

Eu tenho essa camisa que tem camuflagem de padronagem bem distinta, com um efeito de pincel. Sempre tive curiosidade de saber se havia alguma história por trás do desenho. Hoje me deparei com a resposta dentro do livro Vintage Menswear, no meio do capítulo sobre roupas militares:

jaqueta camuflada de paraquedista do exército britânico segunda guerra mundial
British Army Paratrooper's Denison Smock - 1940
O sucesso da estratégia Alemã na ocupação da França em 1940 levou Winston Churcill a ordernar a formação de um batalhão com 5,000 paraquedistas. Os designers dos trajes de guerra começaram imediatamente a bolar em um traje especial para a tarefa. Até então, o desenho era baseado no original na jaqueta Knockensack, ou "saco de osso" usada pelas tropas Alemãs - semelhantes a um macacão com calças na altura da coxa. Porém, os macacões costumavam ser removidos e abandonados na aterrisagem e por isso foram substituidos pela jaqueta Denison, em 1942. Mais confortável, mais funcional, fácil tirar por sobre a cabeça, folgada e feita de uma sarja pesada, tornando-a resistente ao vendo mas não quente demais. Os oficiais de alta patente, como o General Montgomery, costumavam ter suas Denison feitas sobe medida e de gabardine. 

jaqueta camuflada de paraquedista do exército britânico segunda guerra mundial
Detalhe do fecho de zipper, só até a medade da frente
A jaqueta era vestida por cima dos equipamentos militares e tinha quatro bolsos externos fechados por botões de pressão bem pesados (os bolsos de baixo eram tipicamente usados para guardar granadas que podiam ser arremessadas durante o salto), dois bolsos internos, um fecho de zipper até o peito, e um flap na virilha para deixar a jaqueta bem próxima do corpo e evitar que ela inflasse durante a queda.

jaqueta camuflada de paraquedista do exército britânico segunda guerra mundial
O punho foi customizado, incrementado com uma ribana de lã feita com uma meia militar. A prática era comum entre os soldados para deixar a jaqueta mais quente e mais a prova de vento.
A camuflagem era pintada a mão e impressa com tela utilizando uma estampa de pinceladas largas bem distintas, consideradas ideais para os terrenos da Itália e da Africa. A estampa era feita usando tinturas "non-colourfast", que se desgasta com o uso. A idéia era que com o tempo a jaqueta passaria a ter a aparência de um casaco de trabalho civil, ajudando o soldado a escapar da captura caso ficase preso atrás de linhas inimigas.  Uma versão mais ajustada ao corpo foi introduzida em 1959, mas variações da Denison foram fabricadas até meados dos anos 70.

jaqueta camuflada de paraquedista do exército indiano 1940
Indian Army Paratrooper's Smock - 1940
A jaqueta Denison foi copiada por exércitos do mundo, cada um fazendo suas pequenas alterações. A foto acima mostra a jaqueta de salto da divisão paraquedista do exército indiano. Ela tem botões de casa ao invés dos botões de pressão da jaqueta inglesa. Tem o fecho de zipper completo, punho de ribana feito de lã tricotada e dois bolsos internos. O exército indiano também fez algumas mudanças para adapta-la ao ambiente local - a versão da Denison deles não tem forro e a camuflagem de pincel é mais exagerada, com uma folhagem com efeito marrom avermelhado.

jaqueta camuflada de paraquedista do exército indiano 1940
Detalhe do fecho que passava por entre as pernas e se prendia na virilha, para selar a jaqueta durante o salto de paraquedas
Fotos retiradas do livro Vintage Menswear - A collection from the Vintage Showroom, por Sims, Luckett & Gunn

Traje formal azul escuro

24 de outubro de 2012


Fonte: The Metropolitan Museum of Art

Na década de 1920 o Duque de Windsor, na época ainda o Príncipe de Gales, introduziu o terno azul meia noite como uma alternativa para o preto convencional dos trajes formais noturnos. Ele foi motivado não somente pelo desejo de amenizar a formalidade dos trajes masculinos, mas também por aumentar a sua fama indumentária na imprensa popular. Ele explicou em um álbum de família que "era de fato 'produzido' como um líder de moda, com os alfaiates eram os meus showmen e o mundo o meu público. O intermediário neste processo foi o fotógrafo, empregados não só pela imprensa, mas pelo comércio, cuja missão era fotografar-me em todas as ocasiões possíveis, publicas ou privadas, com um olho especial para o que eu estava vestindo." O Príncipe de Gales compreendeu as possibilidades fotogênicas que um terno azul escuro tinha nas fotografias preto e branco. Ao contrário do traje preto, ele permitia o reconhecimento de detalhes sutis da alfaiataria, tais como botões, lapelas e bolsos.

Jeans Bruto e Jeans Selvedge

25 de setembro de 2012


denim bruto
Duas calças de jeans bruto
Mais ou menos nos meados dos anos 2000 começou uma febre pelo tecido jeans feito à moda antiga, o chamado de "raw selvedge denim", ou o jeans bruto selvedge. No começo era uma cultura de denim heads, mas hoje, até mesmo a GAP vende um par de jeans brutos razoáveis. Os tecido jeans selvedge é mais difíceis de fábricar, mas são mais duráveis e de qualidade muito mais alta. Além disso tem um apelo sentimental.

Quem está lendo este blog com certeza já na internet fotos de jeans brutos selvedge depois de muito usados. Ficam desbotados, com marcas nas pernas, contorno da carteira, regiões desfiadas, e tem aquela listrinha vermelha na bainha virada. Eu mesmo já postei umas fotos quando escrevi sobre os meus jeans. A moda porém, nunca pegou no Brasil. Me lembro de ter visto um par de jean brutos (de baixíssima qualidade) na Cavalera. Não era selvedge, e vinha com uma lixa para você raspar e desgastar o jeans, contrariando todo o propósito da coisa. Paciência é uma virtude.

Primeiro eu vou tentar definir o jeans bruto, o tal de "raw denim". Esse é o nome do denim que nunca foi lavado e não foi artificialmente desbotado. O jeans é rígido porque não passou pelos processos de lavagem durante a produção. Devido a essa rígidez eles podem ser um pouco desconfortáveis no começo. O denim bruto tem uma cor uniforme, pois não passou pelo desgaste artificial para dar cara de usado

A tintura também faz a diferença na coloração e em como o jeans desbota. Hoje, fabricantes de jeans vem substituindo o corante índigo verdadeiro por sintéticos. O denim de qualidade é tingido usando máquinas mais antigas, que colocam cordas de fio de algodão em tonéis de corante e as levantam até o telhado da fábrica para dar tempo do índigo oxidar. Os fios podem ser mergulhados até trinta vezes. É o chamado "roped dying", ou tintura em corda.


denim bruto

Com o tempo, o jeans desbota de acordo com o seu corpo. Como você usa e o que você carrega nos seus bolsos vão afetar o resultado final. No entanto, para obter o contraste desejado, você deve usar os seus jeans pelo máximo de tempo possível antes de lavá-los pela primeira vez (geralmente 6 mêses). Ao não lavar os jeans, você possibilita que vincos apareçam nas áreas de stress. O atrito destes vincos vão removendo o excesso de indigo e criando áreas onde há menos cor.


calça jeans selvedge em comparação com calça normal
Na direita um jeans "normal", as três da esquerda são jeans selvedge - a última com bainha feita com ponto corrente
O termo selvedge se refere a outra coisa. Se o "raw" fala de lavagem, o selvedge fala de costura. O tecido selvedge é feito em teares lançadeiras antigos ao invés das versões mais modernas. Pelo que eu entendi, isso quer dizer que durante a tecelagem o fio da trama é único e vai e volta de forma contínua pelo urdume, ao invés de serem vários fios. O resultado é que o tecido tem uma aresta limpa, que não se desgasta. Nos teares que tem fio da trama separados, as extremidades do tecido são abertas e precisam ser costuradas com um acabamento menos bonito. 

Os teares antigos são bem mais estreitos, o consumo de algodão é maior e o tempo de produção também. O selvedge em si não é um indicador de qualidade, pois existem máquinas de lançadeiras modernas capazes de produzí-lo. Porém, o denim feito nestas máquinas antigas costuma ser feito a partir das melhores matérias primas para justificar a trabalheira. No caso, o melhor algodão vem do zimbabwe e o melhor denim vem do japão.

Para quem tiver curiosidade, uma excelente fonte de informação é o site Raw Denim.

Fotografias: Rirchard Avedon e o Ivy Style

10 de setembro de 2012

Eu 1976 o fotógrafo Richard Avedon registrou as eleições bicentenárias dos Estados Unidos. A série  “The Family” é composta por fotografias da elite do poder Norte Americano. Eu já tinha visto elas antes, mas o tumblr Mistil selecionou algumas mostrando políticos com o "Ivy Style', o predecessor do preppy. Eu tomei a liberdade de parafrasear os comentários que ele fez em baixo de cada foto. 


Elliot Richardson, Secretário de Comércio. O terno que ele usa é um "sack suit", com ombro macio, sem pence e com abertura única na parte de trás. Tem três botões, mas só dois são funcionais, porque a lapela se dobra sobre o mais alto. Popular da Ivy League, com calças lisas sem pregas. O terno acima tem proporções perfeitas.

Obs: "Sack suit". Uma das principáis características é que ele não tem nenhuma costura (pence) nas laterais. Quem assiste Mad Men pode reparar nos ternos de Don Draper no início da série. Não temcostura na lateral, em comparação: este aqui tem).

George W Bush por Richard Avedon com um terno j press ivy style preppy

Esse é George W. Bush (pai), na época diretor da CIA. Ele não escondia a sua formação em uma universidade de elite. Veste um terno da J.Press, também com corte "sack". A camisa tem botões no colarinho, outra marca registrada da Ivy League. Para completar o visual preppy, ele usa uma gravata regimental com as cores de sua universidade.


Jovem Ralph Nader com terno de princeton e harvard e gravata four in hand

Este é o jovem Ralph Nader. É possível perceber pela sua roupa que ele estudou em Princeton e Harvard. Um terno "sack" entediante, uma camisa branca com botões no colarinho, uma gravata regimental e um nó simples do tipo "four in hand". Calças lisas presas com um cinto discreto. Nada de pregas ou de suspensórios.


Cyrys Vance fotografado por richard avedon com um terno de tres botoes mas que são dois

Cyrus Vance, um advogado formado em Yale. Da para saber isso porque ele está usando o uniforme da Ivy League. De novo, o terno meio sacolão e a camisa com botões no colarinho. Três botões, mas o primeiro fica coberto pela lapela. Ele está misturando um terno xadrez, com uma gravata de bolinhas e uma camisa listrada.


john califano por richard avedon com uma gravata da brooks brother repp tie #1

Joseph Califano, advogado. Formado em Harvard, todo de Brooks Brother. Terno preto cortado a maneira "sack", camisa branca com botões no colarinho, e uma gravata regimental facilmente reconhecível, a Brooks Brothers #1 Repp Tie, vendida até hoje e muito copiada.

Para ver o restante da série “The Family

Hoje, é muito difícil achar políticos americanos se associarem ao estilo. É provável que razão seja para evitar a imagem de elitista. Todos preferem o visual de um executivo: ombros estruturados, colarinhos armados e gravatas simples. É uma forma de transmitir seriedade e confiança. Gravatas com brasões, camisas oxford, botões no colarinho e o terno de ombros macios são formais, mas ao mesmo tempo casuais. Podem ser antiquados ou ousados. É provável que os consultores de imagem aconselhem os políticos a evitarem o risco dessa ambiguidade.

Timex: Opção de relógio simples, versáteil e por míseros 30 dolares

27 de agosto de 2012


A maioria das pessoas não precisa de um relógio de pulso para saber as horas. Estamos em 2012 e o celular que carregamos é mais do que suficiente. Para mim hoje em dia os relógios assumiram basicamente o papel de enfeites, mas continuam sendo o único acessório completamente aceitável para um homem usar. Então para que desperdiçar a oportunidade.

Se não precisamos do relógio para nos dizer as horas e também não precisamos que ele tenha o calendário estrelar, medidor de pressão e válvula de hélio. Entendo que muita gente gosta de todas aquelas funções e ponteiros - afinal o relógio que compramos é determinado por nosso estilo de vida e preferências pessoais - mas eu não mergulho em alto mar e não pretendo ir a lua. Na ausência de qualidade, muitas vezes é melhor se contentar com a simplicidade, e isso os modelos Timex Easy Reader e Timex Weekender tem de sobra. Simples, versáteis e por míseros 30 dolares, por que não? 



Se o preço te deixa desconfiado, não se preocupe, a marca também tem cerca de 150 anos de tradição fazendo o que faz de melhor: relógios baratos e confiáveisA história da Timex passa por três fabricantes de relógios Americanos do século dezenove. Começou em 1850 com a Waterbury Clock que fabricava relógios de estante bem baratos mas com design inspirados nos importados. Em 1880 a empresa irmã Waterbury Watch fabricou o “Waterbury”, o primeiro relógio de bolso com preço acessível. 


Relógio Waterbury de 1880
O terceiro foi Robert Ingersoll, que em parceria com a Waterbury Watch criou em 1900 o modelo “Yankee”, o primeiro relógio de bolso a custar apenas um dolar. Foi usado por todo mundo, de Mark Twain até mineradores. O produtos da Waterbury seguiram uma longa tradição de inovações na fabricação de relógio que se desenvolveu em Connecticut, nos Estados Unidos. No século dezenove, a região ficou conhecida como a “Suiça das Américas”.


Yankee 1990 - 1 Dólar
Durante a primeira guerra mundial, o exército Americano pediu à Waterbury Clock que transformassem o Yankee em um modelo de pulso para se adaptar às necessidades dos soldados. Depois da guerra os veteranos continuaram a usar os seus relógios de pulso, e não demorou muito para que os civis aderissem a moda durante a década de 1920. 


Yankee da Primeira Guerra: Metal fosco para evitar reflexos, números  florescentes contrastando com o fundo escuro.
Em 1930 a popularidade de um tal de Mickey Mouse levou a Waterbury a produzir o primeiro relóginho do Mickey da história, com a permissão exclusiva de Walt Disney. Na época eles custavam $1,50 e hoje são itens de colecionador.


600 mangos no Ebay
Veio a Segunda Guerra Mundial e a quase falida Waterbury foi comprada. Trocou de nome para U.S. Time Company, e transformou as suas fábricas para fabricar exclusivamente suprimentos para a guerra. Depois da guerra o novo dono resolveu aproveitar as pesquisas e desenvolvimento da produção em massa para criar o primeiro relógio barato e totalmente mecânico do mundo. O novo relógio de pulso ganhou o nome de Timex, e estreou em 1950. 

O marketing foi genial. Eles apareceram em anúncios sendo usados por batedores de baseball, colados em hélices de motores de popa, girando durante sete dias em um aspirador de pó, preso nas pinças de uma lagosta gigante, ou amarrado em uma tartaruga em um tanque d’água.  Mesmo depois dessas e de outras extensas seções de “tortura”, o Timex continuava funcionando perfeitamente. 


As idéias não pararam por ai, os espectadores enviaram milhares de sugestões para futuros testes, e um sargento da Força Aérea chegou a se oferecer para bater um avião enquanto usava um Timex. No final da década de 1950 um a cada três relógios comprados nos EUA eram um Timex.

                                 

Em 1960 a marca estava na boca do povo. A empresa decidiu diversificar sua linha de produtos e introduziram o “Cavatina”, seu primeiro relógio feminino. Com ele veio um novo conceito de marketing: o relógio como compra de impulso. Por preços baixos uma mulher podia comprar vários relógios de várias cores para combinar e estar pronta para combiná-los com qualquer roupa em qualquer ocasião. Os avanços  tecnológicos levaram a melhorias nos movimentos dos relógios e na década de 1970 a Timex Company já havia vendido mais de 500 milhões de relógios mecânicos. Na época, um a cada dois relógios vendidos nos Estados Unidos era um Timex.



Com a crise provocada por novas tecnologias e a forte competição dos fabricantes orientais a Timex foi aos poucos diminuindo a sua produção de relógios mecânicos para focar no mercado digital, e em 1986 fez uma parceria criativa com atletas e introduziu o modelo “Ironman”. Em apenas um ano o Ironman já havia se tornado o relógio mais vendido dos EUA, e na década de 1990 já era o relógio mais vendido no mundo inteiro. 

O Ironman você conhece. Quando eu ainda estava no colégio se você tivesse um relógio desse você era automaticamente uma pessoa legal. Para ficar mais legal ainda era preciso deixar a pulseira de metal um pouco larga e dar aquela chacoalhada de vez em quando para lembrar os perdedores a sua volta quem é que era o alfa da sexta série. As inovações não param por aí: Em 1992 a foram os primeiros a produzir um relógio com luzinha, aquela verde.


Quando compro um relógio eu tenho em mente uma combinação de três fatores: o artesanato, a estética e a tradição do fabricante. A estética é subjetiva, mas o artesanato e a tradição não. Até gostaria, mas não tenho dinheiro para começar uma coleção de marcas renomadas pelo artesanato. Também não acho uma boa pagar mil reais por um relógio de quartzo feito por uma grife de roupas. A estética será genérica e neste caso a marca no relógio não transmite tradição e nem qualidade. Um relógio igual certamente pode ser comprado a um preço mais barato e provavelmente ter o mesmo mecanismo.

O Timex Easy Reader lembra muito aqueles primeiros modelos produzidos pela Waterbury, e é praticamente idêntico ao primeiro Timex. É um design que venceu o teste do tempo e perdura desde 1880. O Weekender é inspirado nos primeiros relógios militares, com o fundo escuro e números claros em uma caixa fosca. Até hoje estes modelos não me decepcionaram. O Weekender fica excelentes com trajes mais casuais, e o Easy Reader com uma pulseira de tecido fica ótimo para deixar um traje formal um pouco mais descontraído ou então tornar um traje casual um pouco mais arrumado. Já a pulseira de couro com relógio de face branca é a opção mais elegante para um traje formal. 

A Timex tem mais de um século de tradição fazendo relógios baratos e duráveis. Considero-a uma marca não me engana e entrega o que oferece, relógios baratos e sem artifícios de design para esse fato. E para mim isto é o bastante. Melhor ainda que por U$ 30 eles passam voando pela alfândega sem imposto nenhum. 

Isaia, Introdução e a Coleção Primavera/Verão '13

20 de agosto de 2012



Prada, Gucci e cia. estão para a ISAIA assim como um Audi, Mercedes e BMW estão para um Rolls Royce, Bugatti, Koenigsegg e Aston Martin. Quem tiver a chance de tocar nos tecidos que ela usa e de experimentar um terno não deve perder a oportunidade. Os EUA são o destio mais comum dos brasileiros, e um bom lugar seriam lojas como a Bergdorf Goodman ou a Barney’s. Enquanto a sua mulher fica olhando as bolsas e sapatos, suba até o último andar e peça um vendedor para experimentar e dar uma volta com um terno. Só cuidado na hora de passar o cartão. Apesar de justificados pela qualidade, os preços ainda são definitivamente estuprantes. 

Este ano a Isaia fez algo diferente. Um projeto de Making Of muito legal em associação com o fotógrafo Justin Chung. Foram uma série de fotografias divididas em cinco capítulos mostrando cada etapa do processo criativo.'' Dessa forma foi possível acompanhar de longe o processo até o lançamento da coleção Primavera/Verão 2013 da Isaia.

Semana passada a Marisa do The Significant Other postou fotos que ela tirou no lançamento da coleção no showroom da Isaia em NY, mostrando que o resultado é realmente tão bonito e bem executado quanto a documentação do processo de criação me fez acreditar. Nas palavras dela, para quem gosta do assunto, a sensação de visitar o showroom é parecida com o que o Tio Patinhas deve sentir ao mergulhar na sua caixa forte de moedas.

Vamos voltar um pouco no tempo antes de falar das novidades. Napoles é o berço da alfaiataria Italiana. Enrico Isaia aproveitou a forte tradição da cidade para, em 1920, abrir uma pequena loja de tecidos. Todos selecionados das melhores fábricas Italianas e Inglesas e exclusivamente destinados ao vestuário masculino. Em 1957 ele decidiu entrar de vez na tradição de Napoles e realocou-se para a cidadezinha de Casalnuovo. Uma cidade muito especial: Mais da metade dos seus então 15 mil habitantes eram alfaiates! Junto com os filhos, Isaia iniciou a verticalização de sua empresa e abriu um ateliê ao lado de sua lojinha. Contratou alguns dos melhroes alfaiates da cidade e assim nasceu a Isaia.


Hoje, um dos grandes fortes da marca é o seu investimento nos tecidos. A família, que até hoje administra o negócio, conseguiu combinar o cuidado e artesanato do velho mundo com a tecnologia e inovação do novo mundo. Um grande exemplo é o tecido Aquaspider, que se move e estende conforme o corpo do usuário. O segredo da elásticidade natural está na própria trama. Ela é mais longa e larga do que o normal, e depois recebe um acabamento de encolhimento que confere ao tecido a resiliência para manter a sua "memória" e recuperá-la de acordo com a forma do usuário. Todo esse processo é realizado sem nenhum elemento sintético. 

Além disso, antes de se tornar tecido, o fio de lã utilizado no Aquaspider é revestido com um repelente natural contra água e manchas. Isso evita que o resultado final da impermeabilização não fique brilhante como a maioria dos tecidos deste tipo. Outra idéia interessante é a utilização das fibras dos pelos creme e marrom das ovelhas. A maioria da lã de hoje em dia é tecida a partir de fios tingidos que são fiados a partir de fibras do pelo branco das ovelhas. A Isaia consegue criar tecidos naturais completamente sem tingimento, em diversos padrões e tons de creme, beije, e marrom.

A alfaiataria de Napoles é conhecida por ser muito mais relaxada e suas jaquetas bem menos estruturadas. Os ombros são mais macios e sem enchimento. Alfaiataria Inglesa tem jaquetas com ombros bem mais armados e estruturados, idéia que nasceu da filosofia de usar o terno para esconder os defeitos do cliente e realçar as suas forças, preservando a formalidade acima de tudo. A filosofia de Napoles é fazer a jaqueta do terno ficar mais parecida com uma uma camisa, que permita ao homem manter a sua elegância sem perder o conforto, podendo seguir o seu dia sem se sentir restringido. Na língua de nerd, a comparação entre as filosofias é a diferença entre uma armadura e uma cota de malha. 

A fabricação portanto, mantém os padrões do velho mundo. O acabamento, inclusive a costura das mangas, são todos feitos a mão. Hoje, por ser mais barato e rádido, a maioria dos ternos utilizam entretelas que ficam coladas no tecido. No entanto, a entretela nos ternos da Isaia é de "horsehair canvas" e presa por costura ao invés de coladas. Por isso ficam soltas e flutuantes, formando uma segunda pele que acaba se moldando ao corpo sem alterar a aparência do costume, coisa que é impossíel quando a tela está grudada a lã e ao forro. 

Como a primeira parte do Making Of mostrou, essa estação foi inspirada pelas cores dos arredores de Napoles. O amarelo dourado das flores, o verde das portas e janelas, vermelho das bandeiras e corais e principalmente o azul do mar são a força por trás dos paletós e diversos acessórios. Certas cores e padrões podem ser arriscados demais, mas quando utilizados no contexto das produções acabam ficando muito harmônicos e servindo de exemplo de coo é possível fazer algo totalmente sem quebrar a forma e a estrutura do vestuário clássico. Todas as fotos abaixo foram tiradas e publicadas originalmente no Sig Other.


O adorno em forma de coral é uma marca registrada da Isaia. Este coral vermelho só é encontrado na baia de Napoles, e significa sorte. A mitologia conta que este raro coral mediterrâneo nasceu da lenda de Perseus e Medusa. Durante a sua caminhada de volta para casa o herói se apaixonou pela bela Andrômeda, que estava acorrentada a um rochedo na beira do mar para que o monstro Cetus a devorasse. Perseus conseguiu matar Cetus e soltar a princesa. Quando ele sentou na beira do mar para se lavar e descansar. O sangue da cabeça da Medusa foi derramado sobre algumas algas, que ficaram para sempre vermelhas e petrificadas. O adorno de lapela é um presente de boa sorte para os clientes da casa Italiana.


Um aspecto interessante dos paletós da Isaia é a aba de tecido extra que envolve a borda da gola. Esse detalhe é adicionado por razões estéticas, mas também faz parte da história de Napoles. Em uma entrevista eu li que antigamente os Napolitanos mais pobres pediam a seus alfaiates que adicionassem esse retalho de tecido para quando a parte de fora da gola ficasse muito suja e gasta, fosse possível dar vida nova ao terno passando o tecido de dentro para fora. O detalhe permanece nas jaquetas como uma lembrança do passado humilde de Napoles.















Fotos: The Significant Other

Chapéu de Pescador

19 de agosto de 2012

Sean Connery Indiana Jones
James Bond é o pai do Indiana Jones.
Quando é que uma coisa passa a ser oficialmente uma tendência? Cem curtidas no facebook? Alguém usou na novela? Apareceu na Renner? Neymar usou? Nunca vamos saber, mas o que sei é que o chapéu de balde está voltando a aparecer por todos os lados, como se parte da população do planeta tivesse sido transportada para a ilha de Gilligan. 
Gilligan
De acordo com a Wikipedia, o "bucket hat" surgiu na Irlanda para manter a cabeça e os olhos dos pescadores protegidos da chuva. Nos anos 60 os Ingleses adotaram o chapeu como uma opção mais casual e arejada para vestir enquanto caminhavam pelo campo. O chapéu também fez parte de vários uniformes navais pelo mundo, com participação especial em uma das fotos mais famosas da história: 
o beijo
Quando os jornalistas perguntaram sobre o beijo, a enfermeira respondeu "Não há como resistir um homem com chapéu de balde."
É verdade que usar um chapéu de pescador automáticamente deixa qualquer um com cara de pateta. Isso faz parte do apelo. É um acessório fundamental para se criar um estilo que pode ser classificado como 30% capanga e 35% turista gringo e 35% senhor de idade.


ll cool j chapeu
LL Cool Jay na década de 90 com o seu inseparável chapéuzinho da Kangol. Na outra foto um senhorzinho demonstra uma técnica avançada de se transformar o chapéu em uma fedora.
Johnny Depp no filme "Medo e Delírio em Las Vegas". Combine o chapéu com uma camisa florida e você é praticamente invencível.
"Come and work for the boss you know I am paying well"
Earl Sweatshirt 
Sean Connery, Johnny Depp, Rick Ross, Earl (o cara responsável pelo início da hype Odd Future) e uma foto de um soldado beijando uma enfermeira deveriam ser suficiente para validar as minhas observações; mas para quem tem dificuldade e precisa que algum estilita assine em baixo, seguem algumas fotos deste fantástico chapéu no desfile da Louis Vuitton 2013. Das ruas para a passarela:



Para terminar, uma seleção incrível na cabeça do Schoolboy Q. Provavelmente o grande responsável por esse fenômeno do chapéuzinho. Assim que chegar o verão eu vou andar por aí com um na cabeça. Totalmente protegido do Sol e com os olhos a salvo dos raios Ultra Violeta. Provavelmente com uma isca de pesca pendurada no canto para maximizar o estilo.

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