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Azul: Blue Blue Japan Indigo Jacket

10 de abril de 2013


Fiz uma compra antes de viajar e programei para receber no meu hotel o pacote com esta "hunting jacket" da Blue Blue Japan. Ela é feita de sashiko anil (indigo sashiko). É uma jaqueta considerada de primavera, mas que é perfeita para o inverno de Belo Horizonte, por cima de uma camisa ou de um blazer, nas poucas noites mais rigorosas.

Blue Blue é uma marca japonêsa fundada em 1990 especializada no indigo (anil) e em desenvolver o artesanato com denim. As interpretações Japonesas das peças Americanas usam apenas materiais naturais e tinturas azul também naturais. A fibra preferida é o algodão, mas também são conhecidos por experimentar com fio de papel de arroz (que eu não faço a mínima idéia do que seja).

"Look do dia"? Não, Temple of Jawnz

15 de março de 2013


Caminhando casualmente para longe de uma explosão. Um look civil e resistente. Jaqueta de couro e calça jeans para proteção e tênis se precisar correr. Não da para escapar de ninguém se estiver de chinelo.

O motivo da foto é falar da peça de roupa que mais gosto no meu guarda roupa, feita por uma marca muito interessante que é um dos maiores "segredos" da internet. Apresento-lhes o Temple of Jawnz::
TOJ: Temple of Jawnz
A jaqueta, Quilted Double Rider



Clique abaixo para saber mais a respeito da Temple of Jawnz e como adquirir as melhores jaquetas de couro que o seu dinheiro pode comprar:

Papel e Caneta

21 de fevereiro de 2013

O diário que uso para escrever sobre os dias todas as vezes que viajo. 
Digitar no computador não é a mesma coisa que escrever com papel e caneta. A permanência da tinta e a cordenação necessária para escrever nos força a elaborar a frase na nossa mente antes de colocar as palavras no papel. O texto que não pode ser “copiado e colado” nos força a parar por um momento e pensar bem no que queremos dizer. É um bom jeito de desacelerar o ritmo e organizar os pensamentos.

Acho que foi na terceira série que reparei dois colegas escreviam tudo com letras maiúsculas, sem curvas e sem voltinhas. Achei legal e adotei essa forma que me pareceu bem prática. O tempo passou e aos poucos comecei a ter um certo respeito pela forma que algumas coisas eram feitas antigamente, e seus méritos que foram descartados em troca da conveniência. Agora eu olho para a minha letra e acho ela preguiçosa, feia e sem personalidade.

Por isso resolvi "aprender" a escrever novamente. Para me motivar eu resolvi tornar o processo o mais agradável possível. Adoro brinquedo novo, então resolvi ir a compra de "material escolar" para não largar das novidades. Resolvi matar uma curiosidade que tinha e experimentar uma caneta de pena. Pesquisei um pouco e cheguei ao site Jetpens e ao modelo Safary, de uma marca alemã chamada Lamy. Comprei a caneta, um caderno e tinta.


O caderno é de uma marca japonêsa chamada Maruman. Li muitas coisas boas sobre os cadernis (e canetas) do Japão. Faz sentido, já que no alfabeto deles uma "letra" pode ter um monte de linhas, exigindo bastante precisão. Ele realmente escreve bem macio, tipo a Moleskine. O nome do caderno é bem legal, Mnemosyne é a deusa grega da memória.


A Safari é uma caneta que funciona com cartuchos. Ela vem com um azul, e eu comprei uma caixa com cinco pretos. Além disso, comprei um adaptador que faz com que ela funcione com tinta. Fiquei curioso com o "ritual" de recarregar a caneta e comprei um pode de tinta preta bem escura, também da Lamy.

Fiquei surpreso com a diferença entre escrever com uma caneta de pena e uma "ball point" normal. A principal diferença é na forma de segurar. Estou acostumado a segurar canetas com força, para colocar a pressão necessária para a tinta sair do papel. A caneta de pena não precisa de tanta força, já que funciona com capilaridade ao invés de pressão manual. Seguro ela na pontinha do dedo e quase sem encostar no papel.



Fica recomendado então a Lamy, a Maruman e o site Jetpens, cheio de canetas, cadernos e material para escritório. 

Reyn Spooner X Opening Ceremony

4 de janeiro de 2013


Reyn Spooner é um dos ogs das camisas havaianas. A loja Opening Ceremony pegou algumas estampas do arquivo da marca e colaborou na criação de camisas, bermuads e vestidos estampados. Se não me engano, essa segunda colaboração foi lançada no meio do ano passado. Para os homens eram camisas com garotas hula-hula, frutas, cartões postais e outros temas perfeitos para o calor que está fazendo. 


A Reyn Spooner nasceu na década de 1940 quando Reyn McCullough abriu a sua primeira lojinha na California. Ele combinou o estilo Ivy League tradicional com estampas criativas e com seu próprio sangue e suor, criou um estilo bem característicos de americanos na praia e aposentados na Flórida. 

Entre as inovações está a técnica de inverter estampas para dar a impressão que o tecido foi desgastado pelo Sol e de estampar camisas com corte tradicional. A colaboração com a Opening Ceremony da uma mexida no fit das camisas, que continuam até hoje sendo fábricadas no Hawaii. 


Todo dia é dia de lual e Reyn Spooner é ideal para não pagar de haole quando a gente resolve tirar um momento para descansar no Hawaii. Neste exato momento três modelos das camisas estão disponíveis na Opening Ceremony por $ 39,00 ao invés de $ 130.


Eu peguei uma para mim:




Sapato Monk Duplo: Mark McNairy Sand Suede Double Monk Straps

30 de novembro de 2012



Alguns modelos do Mark McNairy são muito bonitos e outros são simplesmente horrendos, mas é preciso respeitar o cara por estar correndo atrás e fazendo o que quer, sem considerar tendências ou o que as outras marcas fazem. Um excelente exemplo de que se você desafiar as regras e continuar a fazer o que queria no início, as pessoas vão reparar.

De qualquer forma eu não consigo pensar em sapatos mais "brincalhões" do que os feitos por McNairy. Os que mais gosto são os modelos que tem um tempero a mais, mas sem exageros. São diferentes o suficiente para chamar atenção mas tem bom gosto o suficiente para agradar a maioria das pessoas.


Os sapatos dele não são os mais adequados para se usar em um ambiente corporativo. Este modelo, por exemplo, foi criado para vaguear livre e selvagem pisoteando o asfalto com as solas tijolo da Dainite, e não para ficar preso dentro de um cubículo.  Os atributos: 

- Sapatos tipo monk de fivela dupla.
- Cabedal de camurça taupe
- Solado de borracha Dainite cor de tijolo
- Forro e palmilha de acabamento de couro
- Construção goodyear com welt de couro natural
- Feitos na Inglaterra, em Northamptonshire


A informação que consegui é que os modelos são todos fabricados na Inglaterra pela Sanders, em Northamptonshire. Todos utilizam a construção goodyear. Uma das marcas registradas é a vira de couro natuaral contrastando com a sola. As solas são fornecidas pela Daininte, fabricante de borracha Inglêsa de 1800, que praticamente inventou este modelo de solado. Os materiais (principalmente em comparação com o sapato de camurça da Richards), a construção e o conforto são todos de extrema qualidade. 







F*ck Yeah Menswear

14 de novembro de 2012

                   

O termo #menswear, ou hashtag menswear, se refere a um grupo específico de pessoas que escrevem sobre moda masculina sob um ponto de vista bem específico. O termo nasceu quando o tumblr concedeu autoridade para que algumas dessas pessoas taggeassem certos posts com o #menswear (azul).

A dois anos atrás Lawrence Schlossman e Kevin Burrows criaram um tumblr anônimo chamado Fuckyeahmenswear, usando um formato de rap/poema para tirar sarro de um círculo bem específico a qual pertenciam. O tumblr ganhou popularidade e muito foi-se especulado sobre a identidade dos autores, que só se revelaram depois que assinaram o contrato para um livro:


Segunda feira recebi aqui em casa o livro F*ck Yeah Menswear. Quem usa o Tumblr com certeza conhece o #menswear e provavelmente vai achar o livro excelente. Quem não usa o Tumblr e não tem a mínima idéia do que se trata, provavelmente vai ficar boiando.


Por alto, a história é mais ou menos assim: Tudo começou quando um novo tipo de blogueiro de moda masculina apareceu. Um tipo diferente do adolescente obcecado com sentar na primeira fila dos desfiles, que muitas vezes tinham mais em comum com as mulheres do que com os homens. Ele também não se diziam gurus, não se limitavam a dissertar sobre o que usar em um casamento ou que roupa vestir para uma entrevista de trabalho. O novo tipo de blogueiro acrescentou um ponto de vista hetero bem específico, a um universo que era considerado das mulheres.


Estes blogs olhavam para a moda masculina da mesma maneira que um cara olha para carros ou esportes. Grande parte dessas pessoas vieram de uma cultura do skate e hip-hop, ex-sneakerheads e frequentadoras de forums onde compartilhavam suas últimas compras e discutiam as últimas novidades. Com o tempo envelheceram, sem deixar de gostar de hip-hop, e começaram a aplicar a sua maneira obsessiva e linguagem aos demais produtos do vestuário masculino, sempre buscando o novo e o melhor. Para eles, visitar uma certa loja ou fábrica era a mesma coisa que ir a loja da Apple comprar o último lançamento, ou estar nos bastidores de filmagem de O Hobbit. Um sapato e um terno envolviam tantos detalhes e engenharia quanto um carro. Os trade shows de roupas masculinas viraram verdadeiras convenções de Guerra nas Estrelas. Este pessoal achou a sua casa no tumblr, um ambiente prático e sem complicações para compartilharem o que quisessem. 

F*ck Yeah Menswear é uma capsula do tempo dessa subcultura nerd. Cheio de referências específicas e uma linguagem própria que mistura o hip-hop com a internet: "cop some jawns", "dude is sprezzy", etc. Além dos textos e imagens no mesmo formato do tumblr, que não perdoam nenhum jargão e não deixam nenhuma piada interna passar, o livro ainda conta com um dicionário com alguns termos #menswear, uma lista de lojas, arquetipos de estilo, uma lista de essenciais e outra de produtos por "nível" de poder aquisitivo, tudo com bom humor. 

Compras: The Knottery

8 de novembro de 2012


É um prazer poder ver as coisas de perto. Faz um tempo que acompanho a The Knottery. Sempre gostei da estética da gravata. Não tenho muitas chances de usar, então não são coisas que costumo comprar. Resolvi pegar algumas quando vi que o site deles estava cheio de promoções. Admito que é uma afetação minha, não são necessárias mas eu queria que fossem. Atualmente aproveito qualquer chance de usar!

As gravatas e os lenços vieram embrulhados muito cuidadosamente. Comprei modelos de 3 polegadas de largura (7.5 cm). São proporcionais às lapelas dos meus paletós, e não são antiquadas nem modernas demais. Por isso não "ofendem" nenhuma das gerações e conseguem transitar por mais ambientes.

Apenas uma dessas gravatas é de seda, as outras são de linho e algodão. Apenas a de seda seria apropriada para um ambiente de negócios ou formal, mas já tenho gravatas que satisfazem as poucas ocasiões deste tipo que tenho na vida. Por isso comprei modelos de tecidos "alternativos" para incorporar em combinações menos formais. 

Comparei a seda com a seda de gravatas de luxo (no aeroporto) e não vi muita diferença. O mesmo vale para o acabamento e o enchimento. O modelo de negócio deles trabalha com tecidos bem exclusivos e quantidades limitadas. Por mais ou menos $25 dolares é possível comprar uma gravata única e muito bem feita. Entre as poucas gravatas que tenho, as da The Knottery dão o melhor nó four-in-hand. é definitivamente o melhor custo x benefício no mercado. 








Estou acostumado a usar no máximo um lenço branco em casamentos e eventos formais. Preciso adimitir que a internet me deixou curioso a respeito de alguns modelos mais chamativos. Achei o preço bem em conta ($12) e resolvi experimentar dois que achei muito bonitos. Para terminar, coloquei no carrinho um cachecol. É uma coisa que não tenho e sempre faz falta quando viajo. Já usei e está super aprovado!

Os caras enviam para o Brasil, frete fixo de U$ 10. Inclusive vendem pulseiras de relógio Nato. Eu recomendo!

The Affidavit
The Stenographer


Para o verão: Camisas de Linho

7 de novembro de 2012



Eu não sou engenheiro de tecidos. Também não sou dono de uma loja e nem sou costureiro, modelista ou qualquer outra profissão que precise de um conhecimento avançado sobre a propriedade das fibras e fios, e como eles podem influenciar no peso e na maneira como um tecido absorve humidade. Tudo o que sei sobre as diversas maneiras que as tramas podem ser tecidas de forma a diminuir o contato com o corpo e favorecer a circulação de ar são informações de livros e da internet. Não posso falar com propriedade sobre nada disso, mas uso linho no calor e me sinto bem melhor. Por isso recomendo :camisas de linho. 

Da para ficar coberto e confortável ao mesmo tempo. A opção mais fácil e comum é a camisa de linho branca, porém hoje não é muito difícil encontrar muitas cores e estampas diferentes. A Richards sempre tem opções, que apesar de caras e com um corte largão, sempre entram em promoção. 



O linho é um tecido que enrruga fácil, mas se ele for de boa qualidade, com o tempo e as lavagens, logo irá deixar de enrrugar. Uma mescla de linho e algodão também ajuda, e deixa a camisa menos suscetível a ficar amarrotada. Melhor ainda se for de manga curta. As estampas estão em alta, então é a hora perfeita para quem gosta começar a usar:

Tirei essa foto para mostra como a trama do linho é aberta. Essa camisa é da Uniqlo é a mesma da primeira foto. Coloquei contra a luz e da até para ver do outro lado dos fios. Acho que é uma cambraia de linho. Isso ajuda qualquer ventinho a passar e facilita a troca de calor com o ambiente (minha física está enferrujada).

Troca Troca - Nato Straps

6 de novembro de 2012

relogio timex trocando pulseira por uma nato straps

Troquei a pulseira do meu Timex. Ela era marrom e depois foi azul e vermelha. Achei que esse amarelinho deixaria ele mais verão. Uma pulseira NATO é uma boa idéia para dar um upgrade no acessório de pulso. As tiras de Nylon balístico são baseadas no modelo padrão distribuido aos soldados Britânicos pelo Ministério da Defesa Inglês, é a pulseira do Rolex do James Bond.

relogio timex trocando pulseira por uma nato straps


Muita gente me pergunta onde comprei a minha. Ela é bem baratinha e foi no Amazon. Tem muita opção de cor, só é preciso verificar qual a largura da abertura do seu relógio. Quem tem medo de comprar online pode procurar na MauMau. Não tenho certeza se ainda vendem, mas eles tinham alguns modelos a um booom tempo atrás. (Eu cheguei até a participar do vídeo de propaganda):

Camuflagem de Paraquedista

25 de outubro de 2012

camisa de botão camuflada

Eu tenho essa camisa que tem camuflagem de padronagem bem distinta, com um efeito de pincel. Sempre tive curiosidade de saber se havia alguma história por trás do desenho. Hoje me deparei com a resposta dentro do livro Vintage Menswear, no meio do capítulo sobre roupas militares:

jaqueta camuflada de paraquedista do exército britânico segunda guerra mundial
British Army Paratrooper's Denison Smock - 1940
O sucesso da estratégia Alemã na ocupação da França em 1940 levou Winston Churcill a ordernar a formação de um batalhão com 5,000 paraquedistas. Os designers dos trajes de guerra começaram imediatamente a bolar em um traje especial para a tarefa. Até então, o desenho era baseado no original na jaqueta Knockensack, ou "saco de osso" usada pelas tropas Alemãs - semelhantes a um macacão com calças na altura da coxa. Porém, os macacões costumavam ser removidos e abandonados na aterrisagem e por isso foram substituidos pela jaqueta Denison, em 1942. Mais confortável, mais funcional, fácil tirar por sobre a cabeça, folgada e feita de uma sarja pesada, tornando-a resistente ao vendo mas não quente demais. Os oficiais de alta patente, como o General Montgomery, costumavam ter suas Denison feitas sobe medida e de gabardine. 

jaqueta camuflada de paraquedista do exército britânico segunda guerra mundial
Detalhe do fecho de zipper, só até a medade da frente
A jaqueta era vestida por cima dos equipamentos militares e tinha quatro bolsos externos fechados por botões de pressão bem pesados (os bolsos de baixo eram tipicamente usados para guardar granadas que podiam ser arremessadas durante o salto), dois bolsos internos, um fecho de zipper até o peito, e um flap na virilha para deixar a jaqueta bem próxima do corpo e evitar que ela inflasse durante a queda.

jaqueta camuflada de paraquedista do exército britânico segunda guerra mundial
O punho foi customizado, incrementado com uma ribana de lã feita com uma meia militar. A prática era comum entre os soldados para deixar a jaqueta mais quente e mais a prova de vento.
A camuflagem era pintada a mão e impressa com tela utilizando uma estampa de pinceladas largas bem distintas, consideradas ideais para os terrenos da Itália e da Africa. A estampa era feita usando tinturas "non-colourfast", que se desgasta com o uso. A idéia era que com o tempo a jaqueta passaria a ter a aparência de um casaco de trabalho civil, ajudando o soldado a escapar da captura caso ficase preso atrás de linhas inimigas.  Uma versão mais ajustada ao corpo foi introduzida em 1959, mas variações da Denison foram fabricadas até meados dos anos 70.

jaqueta camuflada de paraquedista do exército indiano 1940
Indian Army Paratrooper's Smock - 1940
A jaqueta Denison foi copiada por exércitos do mundo, cada um fazendo suas pequenas alterações. A foto acima mostra a jaqueta de salto da divisão paraquedista do exército indiano. Ela tem botões de casa ao invés dos botões de pressão da jaqueta inglesa. Tem o fecho de zipper completo, punho de ribana feito de lã tricotada e dois bolsos internos. O exército indiano também fez algumas mudanças para adapta-la ao ambiente local - a versão da Denison deles não tem forro e a camuflagem de pincel é mais exagerada, com uma folhagem com efeito marrom avermelhado.

jaqueta camuflada de paraquedista do exército indiano 1940
Detalhe do fecho que passava por entre as pernas e se prendia na virilha, para selar a jaqueta durante o salto de paraquedas
Fotos retiradas do livro Vintage Menswear - A collection from the Vintage Showroom, por Sims, Luckett & Gunn

Blazer de Linho

24 de outubro de 2012

detalhe do ombro desestruturado de um blazer de linho
Ombros macios, naturais sem enchimento - A cor da foto ficou muito cinza
Essa semana está fazendo calor em Belo Horizonte. Apenas uma prévia do que está por vir. A coleção SS 13 Gant Rugger é legal, mas a última coisa que quero fazer em um bafão desses é pensar  em roupas, quanto mais colocar uma jaqueta. É por isso que, se eu tiver que usar um blazer, eu prefiro que ele seja de linho. 

O linho é um dos tecidos mais antigos do mundo. No livro de Moisés a perda de uma colheita é uma praga. Todos os figurões do Antigo Testamento se vestiam com túnicas de "linho fino retorcido". Na terra de nossos colonizadores, arqueologistas encontraram farrapos de linho de 2500 A.C. O tecido feito das fibras da planta do linho tem seu valor na capacidade de manter as pessoas confortáveis e frescas em temperaturas elevadas. Hoje, o linho é produzido em vários países, mas de acordo com este vídeo, o melhor linho ainda é cultivado e feito na Europa.


A trama do linho é frouxa. O tecido fica mais suave a cada lavagem, só que ele não é muito elástico, o que significa rugas. Eu gosto delas, como o tecido é para épocas quentes, elas ajudam a dar uma aparência indiferente, conferindo um ar descontraído e relaxado, próprio para uma época do ano em que é difícil não querer sair por aí de bermuda e chinelo. 


Eu peguei uma mega promoção e comprei esse blazer de linho na Uniqlo por um preço inacreditável. O corte é macio, de ombros naturais, bolsos sem aba e proporções bem moderadas. Ombros sem enchimento em blazers casuais eliminam a rigidez, mas o essencial mesmo em um blazer deste tipo é a ausência de revestimento. Vejo muitas lojas que vendem modelos com forro completo e acho uma bobagem. A camada de poliéster vai fechar toda a ventilação. Quanto menos coisa atrapalhando, melhor. 

blazer de linho sem forro
Na verdade este tem forro nas costas, para ajudar na hora de vestir.
Para quem não tem uma opção destas para o verão, o ideal seria começar com um azul  escuro. O linho e a desestruturação deixam o blazer descontraído o suficiente para usar até mesmo com uma camiseta, e o azul o tornaria alinhado o suficiente para escapulir a noite em ambientes mais formais. Tentei fazer algo diferente dessa vez e colocar algumas opções nacionais. Porém, não recomendaria a maioria que achei. Literalmente uma porcaria:

- A Colcci tem essa opção bem cagada. A parte externa é de linho e viscose, o que para mim já estraga ele. Ele é forrado com poliéster, ou seja, você provavelmente vai assar lá dentro. Os bolsos não me agradaram, são os tipos mais formais que um paletó pode ter, formais demais para um blazer casual com corte perigosamente curto. Blazer Colcci


- A VR tem uma opção de blazer desestruturado feita de algodão. Porém, novamente ele é forrado de poliéster. Essa resistência que as marcas tem de fazer blazers sem forro provavelmente é para esconder o péssimo acabamento interno. Blazer VR.


- Outra opção da Colcci, o mesmo modelo só que azul. Novamente os mesmos problemas, e para completar reparei que eles colocaram alguma espécie de coisinha de metal do lado do bolso. Provavelmente o logo da marca. Totalmente deselegante. Blazer Colcci Azul

- Essa opção da Richards é mais interessante. O blazer é de linho, com apenas o meio forro. Os botões também são bem bonitos e ele tem abertura dupla na parte de trás, o que ajuda na mobilidade e possibilida um corte mais justo. Porém o corte da Richards costuma ser bem espaçoso. Se tiver que escolher, iria com o Blazer Richards e o levaria a um alfaiate para alguns ajustes.


Compras Online na Richards

9 de outubro de 2012

camisa xadrez richards, sapato camurça richards, calça linho richards e chapéu pescador richards

Fiz a minha primeira compra online em uma loja brasileira. Um sapato, uma calça e um chapéu na Richards (a blusa é só para deixar a composição da foto mais legal). A muito tempo atrás vi o sapato e a calça, mas como de costume, acabei pensando muito antes de comprar e desisti. Quase tudo na loja só vale a pena com algum tipo de promoção. Mais tarde, descobri que a Richards faz um bazar online com descontos de 60%. Me cadastrei e recebi um e-mail com as novidades. Lá estavam: a calça e o sapato.

Gosto da proposta da Richards. Estéticamente, costumo achar a selaria o melhor departamento, mas é provavel que as camisas tenham a melhor qualidade. A modelagem não é das melhores e acho que fazem um péssimo trabalho de produção, mas realmente utilizam tecidos bons e capricham no acabamento. Além disso, são uma das poucas lojas em Belo Horizonte que vende camisas com colarinhos "cutaway" ou de algodão oxford.

Antes de finalizar a compra eu entrei em contato com o SAC para tirar umas dúvidas. Depois de dias sem resposta, comprei na raça. Chegou a mensagem de confirmação e o prazo para entrega: 10 dias. Seis dias depois veio um e-mail dizendo que um dos produtos não estava disponível, e que, caso fosse necessário, enviariam a ordem parcial. Perguntei qual produto, mas novamente não obtive resposta. Não recebi nenhum número de rastreamento postal e de repente, vinte dias depois, eu acabei recebendo o pedido completo. Parte do atraso pode ter sido por causa da greve dos correios, mas os pacotes que eu enviei na mesma época não atrasaram. De qualquer forma, a falta de informação me frustrou bastante.

Recebi o pacote e esperava uma embalagem melhor. Não sei se é por eu ter comprado no bazar, mas os sapatos vieram dentro de uma sacolinha e a calça enrolada em papel bolha, tudo dentro de uma caixona de papelão. Posso estar sendo chato, mas as compras online reduzem o contato com o cliente, e eu acho que a comunicação e a embalagem são das poucas maneiras de manter a experiência da loja física.

sapato de camurça verde richards

O sapato é um penny loafer de camurça verde. Esperava mais verde, mas gostei bastante do tom acizentado. A camurça é bem macia e flexível. Não é daquelas lisinhas suaves, deixando este modelo bem casual. O único porém é o calcanhar, que tem um reforço feito com uma camurça bem bruta. Pode ter sido uma escolha estética, mas achei que ficou parecendo que pegaram restos de material para economizar. Ah, gostei bastante do sapato ser feito no Brasil.

sapato de camurça verde richards
A camurça no calcanhar é bem mais "felpuda" do que o resto do sapato. 
A sola é de uma borracha avermelhada, muito parecida com as solas Vibram. Não tem a mesma consistência porém é mais flexível, deixando-o ainda mais maleável:

sapato de camurça verde richards

Dei uma levantada na palmilha e conseguir ver a costura blaqueada do acabamento. A costura blaqueada tem mais flexibilidade, eu acho que é a mais indicada para um modelo assim. Abaixo da palmilha está a entressola, que é de uma espécie de papelão. Justo, pelo preço que paguei.

mocassim penny loafer verde de camurça richards
Eu acho que a costura dividida na ponta da um toque bem legal. 
mocassim penny loafer verde de camurça richards
O sapato não tem forro, deixando ele ainda mais respirável. 
A calça é de uma cambraia mesclada de 48% linho e 52% algodão  A calça de linho é uma vontade que eu tinha para ter uma opção leve para quando estiver quente demais. Eu comprei um tamanho abaixo do que geralmente visto e a cintura ficou perfeita.

calça de linho azul richards

O gavião é bem alto, e a cintura fica bem próximo da cintura natural. A modelagem é reta, mais relaxada. Eu devo levá-la a um costureiro para pedir que diminua a largura de abaixo do joelho até a barra.

calça de linho richards
O botão de metal e branco é um detalhe bem legal. Fiquei muito satisfeito com a calça.
O chapeuzinho é legal mas muito pequeno. Na loja dizia apenas "tamanho único". Era uma das coisas que perguntei ao SAC. Na etiqueta diz "tamanho 1", ou seja...o tamanho único queria dizer que ele é vendido exclusivamente no menor tamanho da loja.

E não fiquei decepcionado com os meus produtos mas fiquei com o serviço. A Richards realmente é uma fonte excelente para peças básicas e tem uma boa mistura, usando tecidos da estação e incorporando algumas opções mais "modernas" no seu mix de produtos. A qualidade em geral, é acima da média, mas como eu disse, está um pouco abaixo do preço cheio, mas comprei na promoção a um preço mais do que justo. Quanto ao serviço, eu pensarei muitas vezes antes de utilizar a loja online novamente. A comunicação foi horrível. Já comprei de gente lá da China que estabeleceu contato melhor. Fiquei com sensação que eles não estão nem ai para o que vem depois do ato do cliente apertar "confirmar compra". A experiência deixou muito a desejar, mas tenho certeza que aos poucos vão ser forçados a acertar o passo.
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