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De Volta e Top 5 Orlando

2 de abril de 2013


Estou de volta depois de um tempo sem escrever. E porque uma foto minha?

Eu comecei o blog como uma válvula de escape para compartilhar com um "público invisível coisas que não interessam a ninguém que conheço - mais ou menos - dentro do espectro "roupas/estilo/manufatura". 

Ontem dei uma limpa no meu Tumblr e percebi quantos compartilhavam as mesmas imagens. Ver ou não ver uma imagem não acrescenta nada na minha vida. Os meus preferidos foram os que convidam a um diálogo. Estes mw mantém consciente de quem está por trás do que aparece na tela do meu computador, sugerindo filmes, idéias, produtos, lugares...

Por isso resolvi colocar minha cabeça na internet de vez em quando. Quem sabe quem ler o blog se sinta mais a vontade para interagir. Acho que é melhor do que uma voz anônima digitando um monte de palavras (é uma plataforma sociais afinal de conta). Além da privacidade, não fiz isso antes porque queria que o blog fosse sobre coisas legais, e não sobre mim. 

Então aqui vai um Top 5 da viagem:

1. "Sea food": Eu tinha esquecido o tanto que um Taco de peixe é bom, sem falar na sopa "Clam Chowder". Quem ver isso em algúm cardápio não deixe de experimentar.




2. Disney. Epicot,  Magic Kingdom e expansão. Os shows noturnos emocionantes (Fantasmic no Hollywood Studios e os fogos no Magic Kingdom), comidas e bebidas de vários países. os melhores personagens (e minhas atrações favoritas continuam sendo as clássicas) e a atmosfera muito legal que a Disney conseguiu criar - me fez sentir que precisava ter tudo da Disney. Por dois dias não consegui dormir achando que minha vida não estava completa sem um rolo de papel higiênico do Mickey. A expansão ficou muito legal e me senti criança visitando pela primeira vez. 

3. Brinquedos Novos: Sem discriminação entre os universos de origem. Todos vão conviver em paz na prateleira. Caixinha de música do Totoro +1000.


4. Harry Potter na Universal. A atração de Quadribol foi a melhor da viagem. Nosso sistema de ensino é uma bosta, me mandem para Howgarts por favor. Professor Snape o verdadeiro herói. 



5. Jaqueta Barbour (para não fugir do assunto do blog). Essa foi a minha melhor arrumação de mala até hoje, tirando que esqueci óculos escuro. Uma calça, um tênis e todos os dias usei essa Lightweight Barbour Liddesdale, só trocando a camisa por baixo. É a jaqueta perfeita tanto para o nível de frio que faz no Brasil quanto para viajar. Bolsos espaçosos e de fácil acesso. Leve, então não deixa com calor na hora de andar muito. Não amarrota, então se de repente ficar quente é só amarrar na cintura. Se esfriar muito, basta um cachecol para segurar a onda (e o bolso tem espaço para o cachecol). Eu recomendo. (Tem também a versão sem ser "lightweight" é mais quente).



A última vez que tinha ido na Disney foi a 15 anos atrás. Muita coisa mudou mas pelo visto, eu não: comendo pra caramba, fugindo de montanhas russa, loja do Japão no Epcot e curtindo a área mais infantil dos parques. É impressionante a escala das operações; quantidade de restaurantes e hotéis, manutenção e organização logística. Eu li que os parques da Disney em Orlando tem mais de 65,000 funcionários!

A Universal me pegou desprevenido. Uma área do Harry Potter e várias lojas da Marvel. Acho que a Universal não esperava tanta demanda e por isso os parques são mais bagunçados. Mesmo assim, quem não cresceu curtindo os personagens da Disney com certeza deve se divertir mais nas atrações "agressivas" que a Universal oferece.

Atendimento ao Consumidor

21 de março de 2013

Essa semana tive três experiências de atendimento muito boas e fiquei pensando...o Brasil tem fama de povo simpático e amigo, mas eu raramente saio com uma sensação de ter recebido um serviço excepcional. Ainda não decidi se são as pessoas que me atendem ou se são travas de logística/processo.


1. O pessoal da Hickoree's resolveu uma dificuldade no pagamento. O sistema deles tem duas opções de check out - nacional ou internacional. Nos dois o endereço de entrega precisa ser igual ao endereço de cobrança. Como fazer para comprar com cartão do Brasil (endereço brasileiro) e entregar nos EUA? Liguei pelo Skype, eles me orientaram a fazer o check out internacional online e encaminhar o endereço de entrega por e-mail. Dez minutos depois extornaram o valor do frete internacional e me deram frete grátis.


2. O Sandro da Meermin se desdobrou para conseguir me atender. Precisava que um sapato chegasse da Espanha aos EUA com cinco dias úteis para fazer a compra, processarem, enviarem e chegar. Procurou no estoque de todas as lojas físicas pelo sapato que eu queria no meu tamanho e enviou diretamente da loja de Madrid. Paguei o preço do frete comum e logo em seguida recebo uma mensagem da FedEx dizendo que o meu pacote recebeu upgrade para FedEx Premium: entrega em dois dias úteis para não ter nenhum risco.


3. Eu tenho um blazer cinza que é parte de um terno. Estava tentando comprar a calça no site da Gant mas encontrei dois problemas; ele não aceita cartões de fora dos EUA, e haviam dois modelos de calça cinza com o mesmo nome. A moça do atendimento me informou que o sistema deles não aceitava nem por telefone, mas me disse que eu poderia comprar diretamente de uma loja e me passou o contato. Liguei para a loja em NY e fui atendido por Ricky Song, que olhou para mim qual era a diferença entre as duas calças e me disse que a calça que eu queria eu poderia encontrar por um preço mais barato no Outlet deles na California.

Lá fui eu para o Skype ligar para a California. Dessa vez quem me atendeu foi a Vanessa e tudo no Outlet tinha desconto de 40% mais um extra de 30% pelo Final Sale. Perguntei se ela tinha alguns produtos que vi no site. Ela anotou o meu e-mail e 20 minutos depois me passou não apenas a disponibilidade dos produtos como também tirou fotos da seção Rugger inteira! Em seguida foi me mandando mais fotos a medida que eu perguntava. No final das contas enviou a minha compra de lá mesmo, e economizei 70%.

(Cliquem em ler mais para ver algumas fotos que ela me mandou)

PS: Eu fiz a mesma pergunta para a Gant do Brasil sobre essa calça e não obtive resposta. Uma vez liguei para uma marca nacional porque tinham dois "Sapatos Couro Nobuck" no site (mesma cor mas com preço diferente). Liguei para o atendimento e a pessoa leu a tela da página para mim. Brinquei com ela que eu sabia ler e ficou por isso mesmo.

A Melhor Metade

19 de março de 2013


Assistindo a filmes antigos novamente. Quando foi que as mulheres deixaram de ser a melhor metade dos homens e tornaram o seu pior inimigo? Eu digo comparando os filmes dos anos 60 e 70 com agora.

Será que isso tudo é porque paramos de usar chapéu?

Em Rear Window (Janela Indiscreta) por exemplo, Grace Kelly e James Stewart mesmo pertencem a mundos diferentes, mas eram bons um para o outro e juntos formavam algo maior. Em Can't Take It With You (Do Mundo Nada Se Leva) o relacionamento entre James Stewart e Jean Arthur salva um bairro inteiro e abre o coração de um homem.



Em comparação temos o recente Blue Valentine (Namorados Para Sempre)...wtf! Eu entendo a tendência da indústria cinematográfica seguir pelo lado sombrio das coisas, mas hoje em dia parece que não existe mais nenhuma representação positiva da relação homem/mulher.

Mesmo em qualquer comédia romântica boba o homem ou é um idiota ou um burro ou um enganador, ou a mulher é uma idiota/babaca/vagabunda. Eu prefiro a moda antiga, obrigado.


Virginia Tech University 1967

1 de março de 2013



Achei esse vídeo muito interessante circulando no Tumblr. As imagens foram feitas na Universídade Virgínia Tech em 1967. Eu cursei universidade nos Estados Unidos e fiquei chocado com o estilo dos estudantes em comparação com os meus anos de universitário.

O vídeo começa com um casal caminhando pelo belo gramado da universidade, que até hoje é famosa pelo verde. O tour do campus passa pelo o coral universitário vestindo blazers azul marinho e gravatas regimentais. O lugar é maravilhoso e com um campus desse fica difícil entender como um estudante da Virginia Tech chegou ao ponto de cometer as atrocidades do massacre de 2007.

Todo mundo no vídeo está muito elegante, com uma imagem agradável. Nas meninas, nada de calça moleton largona on botas Uggs que eu associo ao campus da faculdade onde estudei. Estão lindas, vestidas de forma simples, feminina e elegante. Na minha sala de aula elas iam praticamente de pijama.
Nos homens camisas oxford, jaquetas harrington, bermudas de madra e chinos.

O campus tão bem cuidado quanto as pessoas. As vezes fico curioso se o descaso com o estado das instituições que frequentamos e o espaço onde vivemos não começa de dentro, com um descaso com a própria postura e apresentação pessoal?

Assistindo a esse vídeo também fiquei com a impressão de que neste campus as pessoas não precisavam da última novidade do mundo da moda, nem das coisas mais caras ou com logomarcas gigantes para estarem bem, e não deveria ser diferente hoje em dia.

Diferenças

31 de janeiro de 2013


Hoje em dia a maioria das pessoas fica ridícula de gravata borboleta. Tinha salvo essa foto justamente por ser um "look" com gravata borboleta que funcionou, por causa do corte de cabelo e da barba do Philip Crangi. As opções se multiplicam quando você pode tem um estilo de vida que lhe permite ser um pouco diferente do resto das pessoas, simplesmente porque as pessoas deixam de esperar o "comum" de você.


Essa foto é outro exemplo. Um monte de coisa nela que eu diria que não deveriam ser feitas, mas quando ele mistura tudo acaba dando certo. (A calça que ele está usando tem quatro cores diferentes, duas na frente e duas atrás. Como ele consegue? Acho que é porque apesar de diferente, tudo ainda é um pouco convencional.

Seminário Moda I

14 de dezembro de 2012

No final de Novembro eu assisti ao I Seminário do Centro de Referência de Moda de Belo Horizonte. Foram três dias de palestras englobando o tema da Memória, Negócios da Moda e Criação e Desenvolvimento. O que me chamou a atenção foram as palestras sobre Negócios da Moda mas aproveitei o embalo para assistir ao seminário do dia seguinte sobre Criação e Desenvolvimento. Aprendi muito principalmente sobre os diversos aspectos e possibilidades profissionais que existem no ramo. Achei engraçado falar sobre um assunto que eu quase só falo a respeito na internet. Fiz algumas anotações no meu caderno e dividi elas em duas partes.

Pt. I:


- Tive a sensação de que a moda se transformou (ou sempre foi?) um minúsculo grupo de criadores cercados de uma indústria voltada para a cópia. Sem vontade própria, só o desejo de entregar ao consumidor o que ele quer, conforme ditam os relatórios e publicações comerciais. Não senti a vontade de produzir para superar as expectativas e nem de lojas querendo vender algo diferente. As roupas são o menos customizadas possíveis, com qualidade mínima e um desenho dentro de uma zona de segurança confortável.

- A pauta e perguntas geradas por palestras como a Coopa-Roca e da Mary Design foram uma espécie de versão feminina das marcas de menswear que gosto de acompanhar. Essas marcas tem história, começaram com uma visão e se preocupam não somente em como será o produto, mas também com o  que ele será feito, como será feito e por quem será feito.

- Eu acho isso legal porque tenho observado uma nova era de consumismo. É um grupo que deixou de ignorar a história de como uma peça chega até a sua mão. São pessoas que perceberam que um produto não é apenas uma commoditie funcional e nem meramente um meio de expressão artística. Esse grupo deu um passo para trás para concluir que um produto é um objeto criado a partir do agregado de técnicas de fabricação, de pensamentos, trabalho humano e uma lógica de produção específica que fazem toda a diferença. Por isso, muitos criadores estão prestando cada vez mais atenção ao processo de criação, já que os consumidores estão cada vez mais engajados com a história por trás do que eles compram.

- De certa forma nós abandonamos todos os produtos feitos à mão para conseguir garantir que todos os consumidores tivessem o mesmo nível de qualidade. As máquinas conseguem produzir com consistência, e em épocas de alto risco isso foi uma inovação fantástica. Mas os tempos mudaram e estamos voltando a apreciar as pequenas diferenças que tornam um produto único. A consistência virou um aspecto banal do consumismo, e por isso marcas menores conseguem alavancar as suas escalas adicionando um toque humano de volta no produto. Troncos abandonados e tecidos de estoque morto são transformados em decorações. Bordados manuais são aplicados em cada anel, garantindo que cada um seja único. Essas pequenas modificações na manufatuar moderna oferecem ao consumidor a chance de experimentar uma autenticidade única, que no passado era comum.

- Na moda masculina por exemplo, tenho reparado novas marcas gringas e o retorno de velhas marcas que procuram criar uma novidade através de um passo único durante o processo de produção, ou replicar um processo mais trabalhoso que existia no passado. Muitas vezes o produto final é uma peça de aparência comum, tirando talvez o uso de algum tecido exótico, mas o que importa para o consumidor destas marcas é ter na consciência a forma que ele foi feito. Outras vezes eles são perfeitos justamente por serem imperfeitos, wabi sabi. É um fenômeno muito interessante, mas já faz um século que a forma como fabricamos as coisas é mais ou menos a mesma, então porque é que o mundo de repente começou a se interessar pelo processo tanto quanto no resultado?

a) Outra coisa, que absorvi nas palestras, foi que de certa forma a moda não tem mais para onde ir. Conforme a palestra da Harper's Baazar, a indústria está atolada até o joelho no tal do “pós-modernismo”. Com a internet, todos os estilos da história da humanidade estão disponíveis para os designers como referência e inspiração. Os arquivos estão abertos para qualquer pessoa vasculhar, e as referências podem ser localizadas com um simples clique. Não existe mais nenhum perigo nas decisões de design, todas as regras já foram quebradas e todos os estilos esquecidos já foram revividos e celebrados. Como foi dito nas palestras, a moda é sobre a celebração contíua de diferenças e semelhanças, e no ponto que estamos o estilo e o design sozinhos já não conseguem sustentar uma narrativa forte o suficiente para fascinar as audiências, que está cada vez mais exigênte. As audiências mais sofisticadas, portanto, querem saber mais e mais sobre o que acontece por trás das cortinas do showroom e o que torna um produto único sobre a perspectiva material.

b) O luxo se tornou um marketing de massa global, que compra espaços em revistas e abre lojas em todos os cantos do mundo. A idéia de exclusividade se apagou bastante. Conscientemente ou inconscientemente nós podemos enxergar a escala enorme por trás da produção dos bens de luxob e os grandes conglomerados destroem toda a filosofia de uma marca (Margiela x H&M). Jovens estilistas e start-ups como a Warby Parker estão trucando os conglomerados de luxo: Os seus preços altos realmente refletem materia primas superiores e fabricação superior? Como o nome da grife já não serve como garantia, os consumidores moveram seus olhares para o processo de produção das marcas como forma de garantir a qualidade antes de comprarem...por isso tantos vídeos da Gucci e LV mostrando sapatos sendo feitos, ternos sendo cortados, etc.

c) Um simples cálculo de oferta e demanda mostra que o volume de roupas produzido no nosso mercado globalizado é suficiente para desvalorizar qualquer peça de roupa. Alguns estudos mostram que roupas e tecidos estão sendo jogados fora a uma velocidade incrível! Existem pilhas e pilhas largadas por ai. A situação não é sustentável em um mundo cada vez mais preocupado com a tal sustentabilidade. Nós simplesmente temos muita coisa, e acho que muita gente já se cansou do processo de comprar bens de baixa qualidade para depois "desapegar", porque eles só vão se tornar mais inúteis com o tempo. Acredito que pelo menos na próxima década, o consumidor mais sofisticado vá continuar a comprar cada vez menos e para isso vai querer saber o exatamente o que está comprando.

No fim das contas acho esses acontecimentos criaram um grupo preocupado com a maneira que nós produzimos as coisas. Todas as estradas levaram de volta ao processo de produção pois todo bom produto começa com boas matérias primas, e cada passo é importante para o resultado final. 

Eu não gosto de ficar de blábláblá sobre esse tipo e coisa porque acho chato para caramba e não tenho experiência concreta para falar com propriedade. Mas essa foi a primeira parte das minhas reflexões.

Apropriação Cultural?

29 de outubro de 2012


A um tempo atrás eu deixei um comentário em um outro blog falando sobre a nação dos índios Navajos e a apropriação cultural em um post que falava sobre "étnico em alta". Hoje recebi uma pergunta sobre o caso que citei, e resolvi aproveitar este espaço para explicar.

Em Outubro de 2011 a loja Urban Outfitters, famosa por se envolver em confusões deste tipo, lançou uma coleção com estampas dos índios norte-americanos da nação Navajo, e a chamou de "Navajo Collection". Existe uma lei nos Estados Unidos (The Federal Indian Arts and Crafts Act of 1990) que entre outras coisas, proíbe que os varejistas e os fabricantes tentem levar o consumidor a entender que estão vendendo algo de orígem indígena.

Sasha Houston Brown, da nação Santee Sioux, logo escreveu uma carta aberta ao CEO da Urban, acusando a loja de cópias racistas e ofencivas. Os Navajo geralmente não ligam quando as marcas e estilistas usam as suas estampas como inspiração, mas acharam que a Urban Outfitters passou dos limites ao associar o nome da tribo com "Calcinhas Navajo Hipster" e "Navajo Print Fabric Wrapped Flask". Não demorou muito para a loja ser processada com o pedido de retirada para todos os produtos.

calcinhas estampas étnicas

O processo citou a lei e o fato de que a nação Navajo ser dona de 12 direitos autorais para o uso da palavra "Navajo", incluindo roupas. A tribo não admitiu que produtos que "não tem absolutamente nenhuma conexão com a nação, suas entidades, suas pessoas e seus produtos, são comercializados e distribuídos sob o pretexto de que eles são de origem Navajo."(NY Times). É uma linha tênue entre "Navajo" e "Navajo Inspired".

Padrões e desenhos de etnias e regiões já foram a muito tempo incorporados na moda, mas o problema neste caso é o uso de um nome registrado. É utilizar a propriedade de outros com fins comerciais sem obter permissão, coisa que a Urban está cansada de fazer. Este tipo de problema é cada vez mais comum, e a Forever 21, Zara, H&M estão afundadas de processos por roubo de propriedade intelectual. Os estilistas famosos também não ficam para trás. A ação correta, neste caso, seria verificar se existem direitos autorais, pedir permissão, e não fazer nada etiquetado como Navajo a não ser que seja liberado.

Por outro lado, existe outro problema: o da apropriação indevida de outras culturas. O problema parece ser que é sempre o "homem branco" que pega tudo e o vende como o original, sem respeitar qualquer tradição. Exemplos: A Jeep tem o carro chamado Cherokee (outra nação indígena norte americana), o xadrez dos tartans das famílias escocêsas, as culturas orientais são totalmente reformuladas nos restaurantes de fast food "chineses". Tanta coisa na história da humanidade foi construida com a mistura das idéias de uma cultura com a outra, e por isso é difícil saber qual é o limite entre o certo e o errado, ainda mais na era do políticamente correto.

Pior do dia: Calça colada com perna grossa

7 de outubro de 2012

Não sou contra as calças skinny mas acho que elas são feitas para quem é magricelo. Os jeans skinny (assim como as gravatas borboletas) acabam funcionam como uma espécie de muleta. Parece que as pessoas acham que ao usá-los elas automaticamente se tornam estilosas. Acho que isso acontece quando idolatram uma imagem ou querem se encaixar de todo jeito dentro da estética que acham legal, mas não percebem que tem que adaptá-la para ficar certa no físico deles.

O visual magrelo Dior Homme de Heide Slimane não é para todos. Acho que os jeans skinny podem acabar deiando a pessoa com o físico "muffin top", físico "perna de centauro" ou o visual "calça de montaria". Para completar, as pessoas baixas ficam ainda menores, com perna curtíssima principalmente quando colocam sapato de cano alto. Essa é a minha opinião, mas o assunto é realmente subjetivo: cada um tem a sua preferência, seu estilo de vida, seu gosto e uma estética que lhe deixa confortável.

a) "Muffin Top" (O jeans da foto não é particularmente apertado, mas não podia deixar de colocar essa foto do Jonah Hill)






















b) "Perna de Centauro"


c) Calça de montaria



Piadas a parte, todo mundo se veste como quiser e o importante é estar feliz. Esse tema pode ser sensível e minha intenção não é ofender ninguém. As fotos que eu usei são do blog Armário Masculino e Garoto de Grife, que apareceram como referências quando pesquisei no google sobre blogs de moda masculina. Pelo que pude ver, se dedicam bastante, dando dicas para seu público e mostrando aos seus vários leitores o estão curtindo.

Abaixo, um Jonah Hill ainda da era gordão. A calça e a blusa contornam o corpo dele de forma bem melhor, evitando o muffim top. A foto da direita é ele depois de emagrecer, usando uma calça slim mas não colada (principalmente na panturrilha). Dessa forma, sem exageros, ele evita a perna de centauro.



c)  Existem um blog chamado "Tights Bigger Than Your Head", que agora migrou para o tumblr Suits and Boots. Como o nome já diz, o dono tem coxas grossas. Sei que o estilo dele é bem diferente do da pessoa na foto c, mas eu acho que consegue escolher roupas que se encaixem nele, ao invés de tentar se encaixar nas roupas.



Alguns outros exemplos de pessoas com estilos e composição física diferente. Michael Williams e o estilista Dao-Yi são magros, mas mesmo assim acho que entendem que a calça apertadinha não ia dar certo:










Justin Bridges, do Tucked Style, também é um que estaria para a "calça de montaria" se usasse calças apertadassas. Ele consegue construir o seu estilo, bem moderno, sem apelar para nada agarradinho:




 

Cada um tem seu estilo pessoal e leva muito tempo e confiança para ele se desenvolver ao ponto de aceitarmos nos vestir para quem somos, parando de tentar nos vestir igual a outra pessa. Todo mundo tem as suas afetações e as suas preferências. Podem ser bonés, tênis de cano alto, calças curtas, calça dobrada, gravatas borboleta, botas, calça skinny, o que for. A calça mega apertada ao ponto de não ser nada lisonjeante entra na categoria de tentarmos forçar uma idealização que temos na cabeça, ao invés de moldar essa imagem para nos servir.

Usar as roupas de acordo com o certas regras faz parte do caminho. Cada pessoa faz seus ajustes de acordo com seu contexto e seus conceitos. Não podemos ter medo de tentar e cometer erros. Faz tudo parte do crescimento, mas é preciso dar um passo para trás e ver se realmente fica tão bom em você quanto no cara de 40 kilos. 

Não adianta querer usar algo que não funciona para a gente. Ao contrário do que essa obsessão do mercado com tendências tenta nos convencer, não é preciso usar calça apertada, nem terno, nem sapato, nem cano alto, nem sneakers e nem jaqueta de couro para se vestir/sentir bem, tampouco é preciso forçar o nosso corpo a ser uma coisa que não é. O que é realmente indispensável, é que você seja você.

Imogene + Willie

5 de outubro de 2012

calça jeans imogene + willie

O jean Imogene + Willie nasceu do conceito de vender calças feitas de forma sincera. A marca do casal Matt e Carrie Eddmenson cresceu organicamente e hoje é uma linha completa. Tudo produzido e vendido dentro de um posto de gasolina na zona sul de Nashville, Tennessee. Até hoje eles mantem uma relação aberta com o público, através de um site atualizado que realmente funciona como um pedacinho da vida deles. 

Eu acredito que é preciso valorizar pessoas como Matt e Carrie. Neste blog eu já reclamei várias vezes sobre a falta de informação que as marcas brasileiras oferecem sobre os seus produtos. Nem os vendedores e os serviços de atendimento conseguem responder perguntas sobre a fabricação do que vendem. As lojas online e sites então, são verdadeiros mistérios. Isso é manter o consumidor sem informação para deixar as pessoas cada vez mais vulneráveis a mensagens das propagandas e alienado quanto a possível furada de olho que estejam prestes a tomar. O grande desafio de marcas como Imogene + Willie é sobreviver em um mundo que suspeita de preços altos mas não acha estranho quando se depara com preços de banana. 


A indústria têxtil e a manufatura dos Estados Unidos em geral sofreu muito vendo seu trabalho ser transferido para fábricas em outros países. Nos dias de hoje, é preciso ter muita coragem e paixão para abrir uma pequena marca independente e conseguir desenvolvê-la com recursos limitados, manter uma visão clara, preços lucrativos e criar condições de pagar salários decentes aos funcionários. Eu convido vocês a assistirem este vídeo sobre a história da Imogene + Willie. São duas pessoas que trabalharam com jeans a vida inteira e, em um momento de dificuldade, decidiram focar todo o seu conhecimento e paixão em um projeto. Esse vídeo é a melhor forma de aprender sobre eles e ver a relação intima que tem com todo o processo de criação e produção: 



O fato de eles terem não apenas sobrevivido, mas também crescido, é muito impressionante! Eu estou acostumado com o artesão cobrando bem baratinho pelo que faz. Para ele, nem vale a pela fazer tudo da melhor forma possível. No mercado, os nomes das grifes viraram substitutos para qualidade e estilo. O consumidor paga caro na esperança de demonstrar riqueza, conhecimento e status através de uma logomarca. Foi assim que apareceu a idéia de colaborações de estilistas com fast fashions, que nada mais são do que peças cuidadosamente planejadas para dar um gostinho daquele status até então reservado para um grupo com maior poder aquisitivo. Essas peças tem obsolescência estratégicamente determinada, mas se passam por criações genuínas. Por isso, é difícil posicionar uma marca como premium baseado puramente no produto, sem ter por trás um nome de um estilista famoso ou o empurrão de alguma celebridade.



A história da Imogene + Willie mostra a diferença entre algo autêntico, derivado da criatividade e do trabalho, e de uma coisa cuidadosamente calculada a partir de orçamentos e estratégias para agradar um momento. Tudo o que eles fazem é feito a mão, e também é possível fazer alterações na loja ou encomendar peças sob medidas. Eu sei que o estilo das roupas não é para todo mundo, mas a idéia de conquistar o consumidor através do cuidado com o produto e da honestidade está presente, para ser aplicada ao sonho de cada um. Imogene + Willie ainda deve enfrentar muitas dificuldades, mas não deve parar por aí, pelo menos de acordo com a palestra que fizeram para o TED:



Um projeto muito legal dos dois é a série de fotografias "Love Fades". Eles documentaram os jeans dos seus clientes depois de serem usados e terem se tornado uma peça única. É a beleza do jeans bruto! Históricamente as peças de roupas eram muito valorizadas e cuidadas com carinho. Em algum momento nós fomos convencidos de que não podemos comprar uma coisas boa e cara, mas podemos comprar um monte de coisa descartável e barata. A indústria hoje prospera através de grandes volumes, consumo contínuo, produtos iguais e preços baratos. As tendências estão se esgotando e mudando cada vez mais rápido enquanto os produtores procuram maneiras de cortar caminhos na qualidade, acabamento, criatividade e detalhes. A Love Fades ilustra justamente o contrário: uma loja incentivando as pessoas a usarem um produto por muito tempo ao invés de comprar um novo.


Nos últimos anos eu conheci, conversei e até fiz amizade com várias pessoas criativas que não estão contente com a situação do mercado brasileiro e a direção que ele tem seguido. Cada um tem o seu ponto de vista e a sua idéia do que é bom e ruim, mas querer algo autêntico, e a dificuldade de ir contra a maré é um ponto que une todos. Essa coisa de produtos bem feitos, duráveis, que ofereçam uma experiência de consumo única e especial é quase considerada impossível para o pessoal de Belo Horizonte. Mesmo assim algumas dessas pessoas já aceitaram o desafio e começaram suas pequenas marcas ou projetos pessoais, e conheço outras sonham em entrar para uma marca empresa e ajudá-la a crescer. Eu acho a Imogene + Willie um exemplo de sucesso e a mensagem que eles passaram na palestra do TED é sensacional. Espero que vocês também achem. Inspirem-se! 

Ocasião e Contexto: Não perca o respeito

5 de setembro de 2012


O brasileiro também tem uma aversão muito grande a formalidade. Eu acho que isso acaba prejudicando muito a capacidade de compreender o contexto na hora de se vestir. Pode ser que muita gente compreenda mas simplesmente goste de não estar nem aí e vestir o que quiser independente do evento. Pode ser que seja essa a direção que o vestuário masculino tome no futuro, mas eu acho que perderíamos muita coisa no caminho.

A um tempo atrás eu fui a festa de aniversário de 80 anos de minha tia avó. Pensei em um traje que refletisse esse meu respeito pela ocasião, levando em consideração o contexto do evento. Não era necessário aparecer no evento parecendo o Fred Astaire, era um evento semi-formal, de dia, e em um salão de festa fechado com ar condicionado. Fui assim e ainda me perguntei se o meu cinto e relógio estavam despojados demais.

É isso aí: um look do dia fresquinho do celular com uma dose extra de granulação
Chegando lá eu reparei que todas as mulheres estavam muito elegantes (principalmente as mais velhas, com suas melhores jóias). E olha que as mulheres fizeram uma revolução para ter o direito de vestir calças. Já os homens, abaixo da idade do meu pai, estavam todos de camisa polo, calça jeans, "sapatênis" ou aquele tênizinho da Osklen que todo advogado usa sexta feira. Concordei quando uma senhora comentou sobre deselegância e imaginei um tapete vermelho com mulheres em vestidos de gala e homens de bermuda. Eu esperava que quem fosse de calça jeans pelo menos escolhesse um modelo escuro, colocasse a blusa para dentro e vestisse um sapato:

"Christmas is all around me, it's everywhere you go"
Acho que existe um conceito do que é ser um homem "estiloso" e pode ser que esse conceito esqueça que ter estilo não é só entender aspectos estéticos e o que está na moda, mas também entender o contexto e a ocasião. Eu por exemplo, gosto de usar blazer e sapato para sair a noite. Procuro escolher modelos menos formais, mas sei que mesmo assim vou estar mais "arrumado" do que a maioria das pessoas. Porém, são situações que permitem esse tipo de liberdade, um contexto entre amigos e me sinto a vontade dessa forma.

As vezes uso uma gravata quando saio para jantar com a minha namorada. Escolho tecidos e padronagens menos formais e misturo com outros elementos, já que não estou usando por obrigação. Na minha cabeça, esse "esforço" ajuda a construir um ambiente especial. Todo mundo do restaurante pode até me achar uma versão inversa do Chico Bento visitando o primo na cidade, mas neste contexto só me interessa a pessoa do outro lado da mesa. É como abrir a porta do carro, um detalhe bobo mas que passa uma mensagem forte. Acho que um terno e gravata são tipo a versão masculina daquela langerie chique que toda mulher tem.

Um é pouco e dois não bastam; por isso: três looks do dia.
Se o jantar fosse a trabalho, dependendo da intimidade e da profissão, é provável que eu não usasse uma gravata para não correr o risco de estar mais arrumado do que a pessoa mais importante da mesa (chefe) ou estar mais formal que meus colegas. Neste contexto isso pode ser interpretado como ar de superioridade, e nunca devemos confundir elegância com esnobismo. Por mais que eu considere um traje apropriado, preciso entender a idéia que ele cria na cabeça dos outros. Certas ocasiões oferecem maior liberdade do que outras mas nem todo mundo interpreta uma mensagem da mesma forma.

Vista-se para a ocasião. Aproveite as chances que tem para usar o que bem entender, mas saiba a hora de se conter. Tem dias que não são nossos, mas sim de nossos familiares fazendo 80 anos ou de nossos amigos se casando. É claro que  nossos entes queridos não vão nos julgar pela nossa aparência, mas estar com ela em dia nessas horas também não faz mal nenhum. Vale a pena fazer de tudo para mostrar o quanto a data também é especial para a gente. É claro que, no fim do dia, roupas são apenas roupas; mas tem horas que podem servir como uma forma elegante de demonstrar uma característica que nunca é o bastante e que nenhum homem deve perder: o respeito.
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