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Brunello Cucinelli Primavera/Verão 2013

7 de janeiro de 2013


Corrijam-me se estiver errado mas a indústria da moda francesa e italiana é cheia de estilistas muito criativos, com produtos de luxo de altíssima qualidade (e preço alto), bastante respeitados no meio mas que não fazem tanto estardalhaço quanto grifes como Versace, Armani e Louboutin Também são marcas aspiracionais, só que vendem mais do que uma imagem ou um símbolo. Parecem mais focados em realmente vender produtos feitos com a melhor matéria prima que existe e da melhor forma, àqueles que estão disposto a pagar por esse tipo de luxo. 

Brunello Cucinelli com certeza é um destes estilistas. Suas coleções são sempre muito bem apresentadas, mas também tem substância. Sempre trazem alfaiataria impecável, nunca deixam de lado a estrutura da peça. Utilizam as melhores matérias primas, escolhendo muito bem qual a receita do bolo.  

A coleção Primavera/Verão 2013 do Italiano vem montada com a cara da Itália; Muitas sobreposições e mistura entre casualidade e trajes formais. O foco são as jaquetas jeans e os coletes, todos executados com perfeição e disponíveis em uma boa variedade de tecidos e cores. Pelo visto, as cores da temporada são verde e vermelho, em tons lavados que são característicos da marca. O verde pode ser visto nos coletes, nas calças e nos sapatos. O vermelho aparece principalmente nas camisas, nos suéteres, nas jaquetas, e nos acessórios. Como sempre, os blazers não chegam a ser um "double breasted", estão mais para "1.5 breasted".

BH anda um calor de Senegal por isso todos esses casacos e camadas são impossíveis de usar por aqui. Isso não me impede de admirar as fotos em alta resolução com todos os detalhes desta coleção maravilhosa. As produções são tão bem executadas (sobreposições, cores, texturas, tecidos) que eu me sinto mais sofisticado por osmose.

As fotos estão em alta resolução, abra em outra janela para ver mais detalhes:



Clique aqui para ver a coleção completa

Imperador do Japão

11 de dezembro de 2012

imperador do japao
Imperador do Japão com um morning coat(fraque) de proporções perfeitas - Traje formal para ser usados em eventos na parte da manhã
Os japoneses são bastante tradicionalistas e tem um respeito muito grande pelo vestuário ocidental. Ao contrário dos políticos, as famílias reais restantes tem o costume de se vestir com muita elegância, afinal, eles representam a tradição. Enquanto os políticos precisam estar calculadamente mal vestidos para não alienar os eleitores, as famílias reais tem o a liberdade de exercer o seu estilo pessoal para representar um certo ideal e representar o país em toda a sua glória.

Abaixo algumas imagens da Sua Alteza Real o atual Imperador do Japão demonstrando uma elegância tranquila e sem esforços. Uma versão atemporal e elegante do terno ocidental. 

imperador do japao
Com o pai, a Imperatriz e a futura Imperatriz, vestindo white tie (casaca) - Traje formal para eventos a noite
imperador do japao
Na chuva com um double breasted suit (jaquetão). Tons de azul escuro e um lenço de bolso branco. O contraste com o cabelo cinza acentua ainda mais o terno.
imperador do japao
Agora com tons de cinza, todos diferentes da cor do cabelo. Um lenço de linho cinza e uma gravata texturizada, com uma camisa branca com listras cinzas complementam bem o cabelo prateado. Um detalhe interessante é que as duas lapelas tem buracos.
imperador do japao
Com outras figuras diplomáticas do Japão. O que eu acho mais legal nessa foto é que o Imperador é o único com um terno que não parece um buraco negro. Os traços da lapela só são visíveis no terno do Imperador, e o lenço branco e as mangas da camisa quebram a escuridão. Os mais novos tem muito o que aprender, a começar pelo nó da gravata.
imperador do japao
Ainda Príncipe Akihito, com um terno risca de giz de lapelas maravilhosamente cortadas.
imperador do japao
Pelos dois buracos nas lapelas eu acredito que seja o mesmo terno. O abotoamento 4x1 é melhor para ele, que é mais baixo. Para mim o destaque é a sustentação da dobra no início da lapela no ponto de abotoamento. Olha só os punhos do terno e da camisa! Perfeitamente ajustados. 
imperador do japao
Mais uma vez com um morning coat em uma cerimônia formal. Eu sei que todos estão em movimento, mas tenho a sensação que as linhas da silhueta do Imperador estão bem mais "no lugar" do que dos outros dois cavalheiros.
imperador do japao
Com sua esposa usando um belo blazer de tweed.
Um pouco mais de informação: Akihito é o 125° e atual Imperador do Japão. É descendente direto da família imperial mais antiga do mundo, que começou com o Jimmu, o primeiro Imperador Japonês. Em 1959 ele quebrou uma tradição de 1500 anos e se casou com Shōda Michiko, uma "pessoa comum". Subiu ao trono em 1989 e se diferenciou por demonstrar uma atitude pacífica e de reconciliação. 

Seus objetivos foram claros desde o início: Transformar a monarquia (que tinha sido um instrumento poderoso nas mãos dos militaristas) uma ferramenta para a paz e o dialogo e promover a reconciliação e a amizade com os vizinhos asiáticos. Procurou fazer as pazes falando abertamente sobre o sofrimento infligido pelas tropas japonesas antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

O imperador sempre foi muito criticado por assumir e esta postura. Muitos nacionalistas acreditao que esse posicionamento fere o orgulho japonês. Por todos seus esforços, a sua é conhecida como era Heisei, ou "da plena realização da paz". Um artigo muito interessante sobre a obra do Imperador pode ser lido aqui.

Paul Stuart: Mad for Plaid

22 de outubro de 2012

Foto por Alice Olive para o The Trad
Na semana passada a Paul Stuart recebeu convidados ilustres em sua loja na Madison Avenue, NY, para comemorar uma série de vídeos com seis figuras influentes da moda masculina, escolhidos para montar produçōes utilizando o xadrez (plaid) que estão expostas nas vitrines da loja. Os seis escolhidos para o Mad for Plaid foram o editor da Esquire, Nick Sullivan; Lawrence Schlossman do Four Pins (e HTTTGAP); o fotógrafo Mordechai Rubinsteim, do site de street style Mr. Mort; John Tinseth do The Trad, Stephen Pulvirent do Hodinkee e, para completar, Tasha Green do site Departures.

O evento era aberto ao público, bastava mandar um e-mail ou mensagem para o responsável dentro da Paul Stuart.  Infelizmente eu só fiquei sabendo disso depois. Mesmo tendo deixado passar, consegui tirar foto das vitrines e visitar a loja em um outro dia. Como as fotos da internet ficaram muito melhores que as minhas, decidi deixar elas quietas no meu instagram e pegar algumas emprestados do site Fine Young Gentleman. Me espanta como as pessoas tiram fotos das vitrines sem um reflexo gigantesco estragando.










O xadrez da um algo a mais para as cores geralmente suaves e terrosas do Outono do hemisfério norte. O melhor é quando ele é misturado ao tecido tweed, formando uma combinação perfeita de padrão e de textura. O xadrez e o tweed são geralmente considerados tecidos dos nossos avós, mas as vitrines da Paul Stuart servem de excelente referência do potencial que eles tem nos dias de hoje. 



Se dinheiro não fosse problema eu teria levado quase tudo da loja. Mas como ele não nasce em árvore eu fiquei satisfeito com apenas passear. A seleção de produtos e decoração é toda bastante luxuosa, com carpetes, tapeçaria e aqueles móveis que devem custar mais do que o meu peso em ouro. O destaque foi o canto para roupas sob medidas. Não é aquele sob medida fajuto, é o verdadeiro "bespoke". O cliente recebe o seu próprio molde a partir de um monte de medidas, pode escolher os tecidos (quase todos Ingleses), e incorporar todos os detalhes que quiser. Depois de voltar várias vezes para experimentar e ajustar o produto inacabado, ele recebe uma peça de alfaiataria Paul Stuart totalmente customizada. É a primeira vez que eu visito uma loja com um serviço deste tipo, tendo este padrão de qualidade. 






Voltando um pouco: A Paul Stuart é uma loja masculina de luxo fundada em 1938. Só existem três lojas, e junto com a online, são os únicos lugares onde é possível comprar os produtos da marca. Exclusivo e cuidadosamente fabricado. É uma das poucas lojas da velha guarda que sobreviveram até hoje, graças a sua capacidade de reconhecer e incorporar os pontos fortes das tradições e das mudanças da moda masculina, mas sem se render a modismos e extremos. Em 2007 introduziu a linha Phieas Cole para atrair o público mais jovem; e o relacionamento com a internet através de iniciativas como o Mad for Plaid e a loja online, que ajudam a Paul Stuart a navegar a linha tênue entre a elegância e a rigídez, entre ser legal e moderna demais. Mais alguns detalhes, nas fotos de Alice Olive para o The Trad

Duque de Windsor

10 de outubro de 2012



duque de windsor nas bahamas
Duque de Windsor, como Governador das Bahamas
O talento indumentário do Duque é para mim o seu único ponto de referência positivo. A sua influência no vestuário masculino é inegável, mas pessoalmente, tenho pouco respeito pela sua história. É impossível negar que o Duque tinha um estilo singular, mas pode-se dizer que ele é a personificação da expressão “estilo sem substância”. 

O Duque é uma figura histórica que foi romantizada como uma “vítima”, obrigado a desistir de tudo por amor. Na realidade o seu relacionamento foi a desculpa usada pelo governo britânico para remover um homem perigoso do poder. Nunca saiu da adolescência, criou uma crise constitucional que ameaçou acabar com o governo da época, simpatizava com o movimento facista e se envolveu em atividades financeiras ilegais. A beleza de pertencer a aristocracia é que pode fazer tudo isso enquanto vivia em exílio em uma mansão a cada dia. Acabou sendo enviado às Bahamas como governador depois que se aproximou do governo Alemão, ao ponto de supostamente ser a figura escolhida por Hitler para governar a Inglaterra. 

Mas como o assunto aqui é roupa, as contribuições de Edward VIII foram enormes. Ele desformalizou o vestuário masculino, indo contra com a rigidez dos seus antecessores da era Vitoriana. Usava a expressão "dress soft". Foi isso o que fez, para desgosto de seu pai e felicidade da população, que ficava atenta para ver o que ele iria usar. Dizem que ele era fanático por seu guarda roupa e mantinha um inventário super detalhado. Mesmo assim sempre parecia se vestir sem esforço, nunca forçado.

Se não achamos tão chocante hoje, é justamente porque ele tornou tudo isso um pouco mais aceitável. O Duque de Windsor era pequenininho, mas foi preciso uma personalidade enorme para usar estes trajes na época. Ternos xadrez de todos os tipos, combinações, fez o chapéu panamá virar moda, popularizou o colarinho spread (italiano), tem um nó de gravata com o seu nome e tornou aceitável uso de roupas do campo na cidade. (tweed, suéter fair isle, camurça, sapatos marrom, sapatos bicolores).  Foram apenas algumas de suas contribuições.

 Duque de Windsor em sua escrivaninha

o duque e a duquesa de windsor
estilo do duque de windsor com um terno xadrez

O guarda roupa do Duque:

guarda roupa do duque de windsor

guarda roupa do duque de windsorguarda roupa do duque de windsor

Alguns de seus ternos que foram leiloados: 

terno xadrez do duque de windsorterno de campo de tweed do duque de windsor e um colete suéter fair isle

terno de golfe do duque de windsor
Terno de Golfe do Duque, de 1924
Estes estão expostos no MET:

terno jaquetão de abotoamento duplo azul escuro com lapelas pretas do duque de windsorterno de abotoamento duplo do duque de windsorterno de abotoamento duplo xadrez do duque de windsor
ternho de linho do Duque de Windsor
Terno de linho do Duque

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