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Club Monaco

8 de setembro de 2012

Aaron Levine - foto: A Continous Lean
Atualmente existem dois caras que eu admiro muito na indústria da moda masculina. Um deles é o barbudo ai de cima, Aaron Levine, o diretor criativo da Club Monaco masculina. A Club Monaco é uma rede Canadense fundada a 25 anos atrás. A dois anos começaram um forte reposicionamento que me deixou realmente impressionado quando entrei em uma loja na Prince St, em Nova Yorque.   Foi uma das raras lojas que entrei e gostei de tudo. Eu não consegui tirar fotos lá dentro, e por isso vou pegar algumas emprestadas da internet, do site do Marcus Troy, no caso é de uma loja na época do Outono/Inverno. Eu fui na Primavera/Verão. Os tecidos eram mais leves, em vez de lã, algodão e linho.

Loja da Club Monaco

A Club Monaco não é uma grife, é uma loja de shopping, uma rede assim como a Zara, Mango, H&M, JCrew e Hering. O mix de produto é de peças básicas com ajustes interessantes e peças sazionais mais elaboradas. A loja recebe produtos novos diversas vezes ao ano, ao contrário da maioria das lojas que trabalha com poucas temporadas. Por isso ela está sempre vendendo produtos que correspondem a estação atual. Em termos de estilo e de modelagem, ela está anos luz a frente das outras, provavelmente graças a época que o Thom Browne trabalhou lá. O único problema é o preço. Ele não é alto, mas está em um patamar bem estranho no meio do caminho. Porém sempre tem  promoções, e ai o preço fica perfeito com -20% de desconto.


Para mim, o sucesso da evolução sob o comando de Levine está no que um antigo colega meu costumava de chamar "equalizador". Ele usava esse termo para exemplificar a formula de sucesso de um atleta, mas acho que ela é perfeita para falar do lado comercial das roupas masculinas. Se você pegar um equalizador e colocar todos os parâmetros em posições extremas, a música vai ficar horrível. Mas se você fizer pequenos ajustes nestes mesmos parâmetros, o som vai ficar maravilhoso. É a mesma coisa com as roupas: você pode brincar e inventar um pouco, mas precisa manter o respeito pelo que os homens gostam de usar.

Os criadores muitas vezes tem dificuldade com o fato da moda ser um negócio. O resultado líquido depende de vender roupas e não de ser excessivamente criativo e tentar re-inventar a roda. Eu gosto de ver novidades, mas ninguém vai andar por ai com um terno do Thom Browne com ombreiras de futebol americano. O sucesso de Levine está em correr riscos bem sutis sem perder a usabilidade das roupas, o que é ótimo para pessoas que querem evitar o sem graça sem ter que apelar para o exibicionismo.

Mochilas masculinas na loja da Club Monaco

Esse é o equilíbrio da Club Monaco: as peças simples são roupas que o cliente pode sempre contar, as que ele não vai precisar pensar muito na hora de se vestir. Depois de comprar essas, ele pode procurar algumas peças mais fortes para incorporar ao guarda roupa e fazer com que os básicos pareçam mais legais do que realmente são. O cliente comum não quer arriscar e fazer papel de bobo, ele quer peças fáceis de usar, que vistam bem, sejam legais e agradáveis ao toque. Diferente das mulheres, homens não gostam de entrar em uma loja e ver um monte de novidades. Nossa adaptação é muito mais lenta, e por isso gostamos de entrar na loja e poder saber que vamos encontrar um produto que conhecemos. 

Botas Wolverine e carteiras de couro e gravatas na loja Club Monaco

Eles também vendem produtos de marcas especializadas, entre eles os casacos da Barbour, sapatos da Mark McNairy Amsterdam, botas da Wolverine e gravatas da The Hill-Side. Pessoalmente eu acho uma excelente idéia. Muitas lojas tentam desenvolver uma linha completade produtos e acabam crescendo demais sem fazer nada direito. Eu acho melhor focar em produtos que realmente aproveitam as forças da equipe criativa, e deixar outras coisas para quem já sabe fazer bem. O mundo não precisa de uma nova linha de perfumes, ou de sapatos mal feitos, mas precisa de mais pontos de venda para marcas especializadas que não tem muitos pontos de distribuição.

Decoração da loja Club Monaco

Outro ponto simples que a Club Monaco acertou foi ter portas separadas para a parte masculina e a parte feminina. Eu não gosto de ter que passar pela seção feminina e um monte de vendedora chata para finalmente chegar na parte masculina. As portas separadas permitem uma decoração diferente, iluminação diferente e som diferente. É bem comum dizer que quem compra roupas para homens são as mulheres, e por isso o foco do merchandising deve ser nelas. As lojas que conseguiram quebrar esse paradigma estão vendo resultados incríveis, a JCrew por exemplo cresce em ritmo muito mais acelerado no mercado masculino. Acho que no fim das contas o homem também gosta de comprar, só não gosta de ser atendido da mesma forma que as mulheres. A apresentação do produto em uma loja masculina tem que ser um bicho completamente diferente.

Abaixo algumas fotos das últimas coleções e da evolução da Club Monaco:

Club Monaco em 2008
2008
Club Monaco Primavera Verão 2010
2010
Club Monaco outono inverno 2011
2011
Primavera Verão Club Monaco 2012
S/S 2012
Primavera Verão Club Monaco 2012
S/S 2012

Outono Inverno Club Monaco 2012 calças camufladas e casaco camelo beije
F/W 2012
Outono Inverno Club Monaco 2012
F/W 2012
A Club Monaco tem uma loja online no site deles
Também tem um Tumblr bem legal, o Culture Club

Wooden Sleepers: O melhor do vintage na internet

29 de agosto de 2012

Brian Davis, dono da Wooden Sleepers (foto por Ryan Plett)
A internet é a melhor vitrine para encontrar o vintage. E o melhor lugar continuam sendo os sites de fora do país porque o máximo que você vai achar no Mercado Livre é um boneco original de cavaleiros do zodíaco e quando você recebê-lo vai perceber que é falsificado. A grande diferença dos brechós do Brasil para os do exterior é o volume de mercadoria antiga que sobreviveu aos tempo por serem extremamente bem feitas e ainda mantém o seu valor hoje. É dificil achar esse tipo de produto por aqui.


Essa coisa de comprar coisa vintage pode ser mais trabalho do que vale a pena caso você não conheça os lugares certos para procurar. Vou recomendar a Wooden Sleepers como ponto de partida. O dono, Brian Davis, passa grande parte do tempo viajando para todo lado visitando “junkyards”, “garage sales”, garimpando pelo que há de melhor no meio de um monte de produtos mofados. Pelo que li por aí ele já se tornou uma espécie de Mestre dos Magos do vintage nas ruas de NY.



Vai saber o que mais ele faz, porque de vez enquando consegue encontrar peças históricas raríssimas e muitas vezes únicas, do tipo que você não vai encontrar em mais nenhum lugar. É provável que ele já tenha vendido alguma peça vintage para a maioria de nossos estilistas estavam buscando referências. O resultado são mercadorias vintage de qualidade excepcional, que ele coloca na sua loja no Etsy, a Wooden Sleepers.



Se você gosta de peças vintage a Wooden Sleepers deve estar favoritada no seu browser. Lá você vai encontrar camuflados autênticos, tênis militares antigos e produtos old school de marcas famosas. É sua responsabilidade acompanhar todo lançamento para ser o primeiro a pegar aquela jaqueta da navy da primeira guerra mundial ou quem sabe uma blusa de flanela usada pelos primeiros lenhadores. Além disso da para acompanhar os produtos que ele favorita no próprio etsy, e dessa forma descobrir outros vendedores muito interessantes. Esperando o que, comece a garimpar!


Tênis da marinha Italiana
Jaqueta vintage autêntica do exército americano
Camisa vintage autêntica do exército americano
Camisa Vintage da Gant (Shirtmaker)
Anorak vintage da Land's End
Camisa de barquinho vintage
Sapato de couro entrelaçado vintage

#87. Visitando a loja: Kitsune

10 de julho de 2012


Eu acredito que para os homens é muito mais importante encontrar roupas que lhe vistam bem do que absorver o que há de novidade. Eu me sinto feliz quando encontro uma marca que me vista perfeitamente. Além de economizar em despesas com alfaiate/costureira, ainda sei onde voltar quando precisar comprar novamente. Acho que todo mundo tem uma marca que goste justamente porque as calças e as camisas vestem exatamente do jeito que elas deveriam, como se fossem feitas sob medida pelo melhor dos alfaiates. Se você for magro, com certeza vai achar a Kitsune o lugar perfeito.

De acordo com a Wikipedia, Kitsune quer dizer raposa em japonês. A Kitsune é uma mistúra de butique com gravadora. Foi criada pelo veterano da indústria da música Gildas Loaec junto com o arquiteto Masaya Kuroki. Além de roupas sempre lança mixtapes fantásticas. Até então só estava presente nos Estados Unidos através de lojas multi marcas, mas acabou de abrir a sua primeira loja própria na Broadway, no primeiro andar do hotel NoMad, em Manhattan.


A loja é muito bonita com uma decoração bem parisience, com piso de parquet, mármore polido, molduras elaboradas. A trilha sonora fica por conta da própria Kitsune. Loaec é o ex manager do Daft Pank, e hoje administra a gravadora renomada por suas mixtapes e o trabalho com novos talentos. 



As peças são simples mas muito chiques, cheias de tradição e elegância  francesa mas perfeitamente contemporâneas. O acabamento é excelente e tudo é feito com o melhor. O jeans é do Japão, o algodão é de Oxford, o cashmere é da Escócia, Além dos próprios produtos, a loja também oferece uma pequena seleção que inclui a Aesop e a Monocle, entre outros. É claro que toda essa atenção para os detalhes se reflete na etiqueta. Ou seja, o preço está bem longe das minhas possibilidades. Mas eu tenho que admitir que as roupas vestem muito bem. 


#76. Visitando a loja: Supreme

30 de junho de 2012


Não sou aficionado por street wear. Mas você não precisa ser um aficionado para saber que no momento, a Supreme é o que há de mais cool. O pouco que sei sobre a marca é que ela foi fundada em 1994 e começou como uma marca de skate. Para ser bem honesto eu não a conhecia até começar a ver um logo vermelho e branco onipresente em tudo e em todos a mais ou menos um ano atrás. Na Lady Gaga, Chris Brown, Justin Bieber, Kate Moss, Muppets, Tyler the Creator, A$AP Rocky, Nike, Vans, North Face, Independent, e mais um monte de colaborações com outras marcas.

Quando estava em Nova Yorque eu fiquei sabendo que a marca lança novos produtos toda quinta feira e decidi conferir. A loja na Lafayette St. abre as 11:30 então resolvi passar lá antes do almoço. Fiquei surpreso quando cheguei. Umas 100 pessoas já estavam acampadas. Um vendedor ficava na porta deixando 5 pessoas entrarem de cada vez. Decidi que não valia a pena ficar na fila por causa de roupa e fui embora. Depois de almoçar e conhecer os arredores, mais ou menos 3 horas depois voltei à loja. Depois de esperar um pouco finalmente consegui entrar. Praticamente todas as novidades do dia já estavam esgotadas, restaram apenas os produtos da coleção e alguns bonés que não tem nada a ver comigo. As pessoas acamparam e estavam pagando caro por coisas simples, como uma camisa social azul, um chino ou uma camiseta branca com o logotipo "Supreme". 

Não fiquei impressionado com a loja e nem com os seus produtos. Claro, haviam várias coisas legais que eu compraria, mas nunca esperaria em uma fila. O que me marcou mesmo foi o status e o culto que existe por trás de uma marca de roupas. Empresas, sejam elas de nível Fortune 500 ou uma start-up, morreriam para conseguir chegar a esse nível de inovação e conexão com o consumidor. Com certeza dariam tudo para se posicionarem de modo que poderiam produzir qualquer coisa em massa e ter centenas de pessoas acampando dois dias antes para esperando. Até mesmo algo "insignificante" como um moleton.

#75. Visitando a loja: Dr. Martens

21 de junho de 2012

A Dr. Martens começou com Klaus Martens, um médico alemão, que idealizou calçados com solas acolchoadas como uma alternativa para o solado duro e inflexível das botas de couro do exército. Seu timing foi perfeito. A Europa pós-guerra havia acabado de passar cinco anos com botas de guerra nos pés, e conforto era o que queriam. O pequeno negócio cresceu ao ponto de chamar a atenção da Griss Company, uma empresa Britânica conhecida na época por fabricar excelêntes botas. Juntos, desenvolveram um novo formato para uma bota e acrescentaram a famosa costura amarela. O nome foi anglicizado para "Dr. Martens" e a patente da sola "Air Way" foi registrada. O primeiro par de botas Dr. Martens, o modelo 1460, foi fabricado no dia 1 de Abril de 1960, na fábrica da Griggs & Co, onde ainda são produzidas até hoje. No novo mundo pós-guerra, foi uma parceiria entre dois antigos inimigos (e a tecnologia alemã com a habilidade artesanal inglêsa) que deu origem a uma das peças mais reconhecíveis e copiadas da história. 
Skinheads: This is England, filme que mostra a corrupção ideológica e os conflitos dentro do movimento jovem.
A bota fez sucesso igualmente entre donas de casa e trabalhadores industriais, acostumados em passar o dia trabalhando com sapatos de solas duras e desconfortáveis. De repente os grupos funcionais foram acompanhados por rejeitados, párias, e todo tipo de rebeldes excluido das camadas superiores da sociedade. A primeira subcultura a adotar a bota foram os Skinheads, um grupo unido pela música, moda e um estilo de vida. Infelizmente o movimento dos jovens da classe trabalhadora acabou corrompido por fatores políticos e sociais. Porém, a Dr. Martens já havia se transformado em um símbolo da revolução cultural na Inglaterra, talvez representando o otimismo da reconstrução pós-guerra. 


Nos anos 70 em diante a bota foi adotada por praticamente todas as subculturas...mods, glam, punk, ska, psychobillies, góticos, industrialistas, nu-metal, hardcore, straight-edge e grunge, por exemplo. Em quem você pensaria se te pedissem para fazer uma lista de quem usava Dr. Martens? Sua resposta vai depender da década de sua adolescência e que tipo de música você escutava. Se você era um adolescente nos anos 90 é bem provável que essa imagem lhe venha à cabeça:

Dr. Martens nos anos 90: Ethan Hawke e Winona Ryder
A bota é realmente um símbolo da rebelião jovem. Sendo assim, ela acabou adquirindo uma associação de imagem muito específica, neste caso a do skinhead, punk, e grunge. Felizmente, a moda skinhead e mod renasceu nos últimos anos. Marcas como Fred Perry e Ben Sherman ganharam reconhecimento mundial e a Dr. Martens aproveitou as portas abertas para expandir a sua linha de produtos e buscar colaborações com players muito interessantes (Raf Simons, Liberty of London, Sunspel, British Mile Rain, entre outros). 

A loja da Dr. Martens localizada no Soho representa justamente isso. A única loja na costa leste dos Estados Unidos dentre as três lojas no país, parece refletir o momento pelo qual a marca passa. Apoiando-se em sua história mas também buscando desestigmatizar o produto e torná-lo interessante para outros grupos. Os inúmeros calçados s são vísivelmente divididos em grupos, com vitrines gigantes para cada estilo ou colaboração recente. As botas em um canto, os sapatos de um tipo em outro, peças metálicas na direita e floridas na esquerda. 


É muito interessante ver uma marca que tem um produto tão clássico sair de sua zona e conforto tentando coisas novas com produtos muito interessantes. Apesar de gostar muito das botas e achar incrível a sua história, eu confesso que não me considero capaz de sustentar a sua estética no meu dia a dia. Portanto, o que me agradou mais na loja foram as interpretações que a marca fez de calçados sociais. Achei que foi uma mistura perfeita do clássico com os elementos "workwear" mais pesados que tornaram a Dr. Martens tão famosa:

Tassel loafer cheio de contrastes. Um dos sapatos mais "elitistas" com um visual rebelde.
Adquirido.
Dr. Martens + British Millerain. Colaboração de chukka boots camufladas.
Long Wingtips e Spectator Shoes, versão Dr. Martens. Uma mistura histórida dos momentos formais e de lazer da alta sociedade Britânica com os elementos pesados dos trabalhadores indústriais.
Os sapatos clássicos.
Dr Martens + Liberty of London
Dr Martens + British Millerain & Co, botas e sapatos de lona encerada.
Solas menos agressivas e um molde mais suave

#70. Visitando a loja: Gant Rugger

18 de junho de 2012



A maioria das pessoas que viaja para Nova York logo pensa nas compras na região do Upper West Side. Convido vocês para nas próximas viagens, deixarem de lado as grandes lojas e a multidão de turistas e caminharem pelo triângulo Nolita, Noho e Soho para ver o que as suas marcas favoritas tem para oferecer em espaços menores e mais criativos. 


Foto: Internet
No meio das lojas dessa região está a Gant Rugger. A linha jovem da Gant interpreta os clássicos da marca, dando a eles uma modelagem moderna e silhuetas reduzidas. A filosofia da Rugger, muito bem definida pelo designer Christopher Bastin, não é recriar o vintage, mas sim modernizar e trazer para o dia de hoje tudo o que sempre amaram na história da Gant.

Foto: fashionfoiegras
Bastin vasculha arquivos para dessenterrar os pequenos detalhes, referências ou brincadeiras com o contexto de certas épocas. Os produtos conseguem equilibrar o clássico com o moderno, graças a uma modelagem moderna e formas ajustadas nos lugares corretos. Essa mistura torna possível se vestir com a elegância de décadas passadas sem aparentar estar indo para uma festa a fantasia. 

Fotos: Internet - Noah Emrich
Localizada na Bleecker St, a loja tem o interior decorado com inspirações vintage e indústriais. O ambiente lembra um brechó velhinho em uma beco escondido. Calças amarrotadas enfiadas em armários, gravatas penduradas em ganchos, camisas enroladas espremidas em pequenas gavetas. Há um detalhe esperando em cada canto, seja ele um cartão postal antigo, uma bandeira universitária, ou uma pin up costurada na parte interna da manga de uma camisa.

Fotos: Internet - Fashionfoiegras

Os materiais da decoração são todos antigos. Tudo faz parte da estrutura original ou foi adquirido, recuperado e reaproveitado de antigas fábricas. As prateleiras e as paredes são todas de madeira e as mobílias são todas antigas, retiradas do arquivo da marca. O lado indústrial fica por conta das inspirações retiradas da fábrica localizada em New Haven, como por exemplo o provador imitando a sala do gerente.

Foto: Internet - fashionfoiegras
Na minha opinião o destaques da loja são os blazers (azuis), os tricôtados, e as camisas. Todos os três tem modelagens excelentes, qualidade de primeira linha e detalhes (escondidos ou visíveis) que remetem a décadas passadas. A Gant Rugger é uma marca que faz muito o uso de camadas. Os vendedores, que não hesitam ao responder qualquer dúvida ou em oferecer conselhos construtivos, são um exemplo a ser observado para ver como outras pessoas utilizam padrões, texturas e cores.  


Qualquer pessoa pode facilmente encontrar algo na loja para encaixar no seu guarda roupa e usar sem nenhuma dificuldade. 



GANT Rugger - 353 Bleecker Street, New York City



O que eu comprei? 

Gant Rugger washed canvas blazer. Corte slim, meio forro,ombros naturais e um pouco mais curto do que o normal



C'H'C'M'

13 de junho de 2012

Há um movimento muito interessante acontecendo no mercado de roupas masculinas. Falo da revitalização de marcas que fabricam suas próprias peças a séculos e da aparição de outras novas que realmente se dedicam a qualidade e ao detalhe do produto que fabricam. Paralelamente, há um grupo de boas pessoas abrindo lojas que também se importam muito com o produto que selecionam para vender. Uma das lojas dessa lista com certeza é a C'H'C'M' (Clinton Hill Classic Menswear).
Foto: We Are The Market
Eu nem reparei na loja na primeira vez que passei em frente. Ela fica abaixo do nível da rua na Bond St, escondida em plena vista. Acho que isso é parte do que a torna especial pois a seleção de produtos parece ser feita especialmente para a pessoa que gostam de procurar pelos pequenos detalhes. A loja estoca uma mistura de marcas novas e velhas (algumas datadas do século XVIII).  O espaço é cheio de diversos produtos exclusivos e colaborações raras de marcas como a Mackintosh, Drakes, Monitaly, Gloverall, Paraboot, Levi's Vintage Clothing, The Hill-Side, Valstar, Six Eight Seven Six, Individualized Shirts, Sunspel, Sunny Sports e Ovadia & Sons, mas também várias outras que nunca ouvimos falar mas que o dono vai ter o prazer de te contar tudo a respeito. 

Paraboot 'Chambord Sport' (Foto C'H'C'M)
Uniform Wares (Foto C'H'C'M')
Na C'H'C'M, Sweetu Patel convida o cliente para fazer parte do processo de descoberta. Ele compra o estoque da loja da mesma forma que compra para si mesmo. Adora procurar novas marcas e produtos, trazê-los para os EUA e disponibilizá-los online para o mundo todo. Inclusive já enviou muita coisa para o Brasil (quase sempre coisas menores, pois assim consegue mandar de "First Class International", que é o serviço preferido pelos clientes brasileiros pois não costuma ser parado na alfandêga). Ele vai conversar com você sobre as roupas nas prateleiras sem passar a sensação de que está tentando te convencer a comprar. Aliás, a loja inteira é assim.

Os produtos estão arrumados em apenas uma arara, uma mesa, e uma prateleira. O espaço é bem aberto e as paredes de tijolo contrastam com as linhas simples e superfícies brancas das mobílias. Lá dentro só o dono e os produtos. É uma loja para quem não precisa de vendedores segurando a sua mão e empurrando um monte de coisa para cima de você. Tudo está organizados nesse pequeno espaço e cabe a você mesmo descobrir o que há de especial em cada oferta.

Ovadia & Sons (Foto C'H'C'M)
Drake's (Foto: C'H'C'M')
A C'H'C'M se mostrou um lugar que as pessoas entram e param para conversar, bater um papo, aprender, dar umas risadas e quem sabe comprar alguma coisa. Enquanto estava lá a loja foi visitada pelos próprios designers de algumas peças, apenas para conversar. Não é toda hora que um cliente tem a oportunidade de contato direto com os idealizadores de um produto. Se você estiver nos arredores, entre na C'H'C'M. Não há nada como pisar em uma lugar que acredita no que está vendendo, ser bem recebido pelo dono e poder conversar abertamente sobre tudo o que há lá dentro e o que ainda está por vir.

Hoje em dia conseguimos olhar tudo pela internet, mas as vezes nada se compara com ter a oportunidade de poder tocar e experimentar alguma coisa. Se não conseguir ver o que torna cada peça especial, pergunte ao Sweetu e se prepare para aprender muito sobre o processo de manufatura, as escolhas de matéria prima, e a herança de cada marca lá dentro. 

C'H'C'M: 2 Bond Street, New York, NY
Horário de Funcionamento: 11 da manhã as 7 da noite.

Drumohr (Foto: C'H'C'M')
Individualized Shirts (Foto: C'H'C'M')
Mackintosh (Foto: C'H'C'M')
Ovadia & Sons (Foto: C'H'C'M')
Private White (Foto: C'H'C'M')

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